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‘Homem-enciclopédia’ conta a cultura italiana nas ondas do rádio

Pedrinho Culpi, de 72 anos, é o décimo filho de um casal de imigrantes

  • Por Magaléa Mazziotti

Da segunda geração dos imigrantes italianos, o multifacetado Pedrinho Culpi, 72 anos, é uma referência entre os moradores da região entre Santa Felicidade e Butiatuvinha tal qual os restaurantes e vinícolas que deram fama à localidade. Idealizador do programa Rivivere L’Italia, há 25 anos ele compartilha pelas ondas do rádio toda o conhecimento e devoção pela cultura italiana que adquiriu desde os primeiros anos de vida, em uma família rica em histórias e tradições.

Décimo filho de uma família de agricultores que vinham de carroça para o centro de Curitiba vender os produtos da colônia, Pedrinho teve sua vida transformada quando uma freguesa da feira, Maria de Jesus Coelho, ofereceu a ele e sua irmã a oportunidade de trabalhar no então recém-inaugurado Hospital de Clínicas (HC). “Ela pediu para que levássemos nossos documentos e tempo depois veio com a proposta de trabalho no hospital. Uma proposta que transformou minha vida”, recorda.

Marco Andre Lima
Pedrinho compartilha pelas ondas do rádio todo conhecimento e devoção pela cultura italiana.

Mesmo com pouco estudo, ele aceitou o desafio de ser recepcionista do pronto-atendimento do HC. Em 35 anos de serviço, Culpi aproveitou todas as oportunidades de cursos oferecidos no hospital e da disponibilidade de pessoas como o padre Olindo Mugnon. Durante os cinco anos como capelão do HC, ele ministrou aulas das mais diversas áreas de conhecimento para o “Italiano”, apelido que Culpi adquiriu no hospital. “Eu tinha até o terceiro ano primário quando cheguei para trabalhar no HC. Costumo dizer que nunca sentei nos bancos de uma faculdade, mas o hospital foi uma verdadeira universidade para mim”, destaca.

Além de ampliar sua visão de mundo, o trabalho na subtriagem dos pacientes, entrevistando e lidando com as mais diferentes necessidades, fez com que ele comprovasse o poder da palavra na cura. “Houve várias situações de pessoas que retornaram ao hospital para me agradecer por algo que disse e até hoje os vizinhos me procuram quando um parente se recusa a procurar tratamento ou precisa de alguém para se animar”, conta.

Italianidade

Ciente de ter o dom da palavra e do canto, ele somou todo o apreço pela italianidade e passou a multiplicar o conhecimento adquirido criando grupos vocais, como o Quarteto Allegri Musicanti e o I Veneti In Brasile, e o Grupo Folclórico Ítalo-Brasileiro de Santa Felicidade. Ele explica que aprendeu com o nono Giovanni Budel, que trabalhou até o último dia dos seus 96 anos de vida, “que o tempo passa e a morte vem”. Feito uma enciclopédia viva da Itália e da história da imigração no Brasil, ele vive aquilo que acredita. “O cidadão que hoje vive no ostracismo não chegará a lugar algum. Sejamos críticos, mas otimistas, usando sempre a verdade e trabalhando com dignidade”.

Serviço

Programa Rivivere I’ Italia Rádio Colombo 1020 KHZ-AM Todo domingo às 11h.

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