O médico James Frischmann Aisengart, 45 anos, herdeiro natural do casal que fundou o laboratório em 1945 ? Oscar Ainsergart e Fani Frischmann Aisengart ? está brigando na Justiça para conseguir a participação que um dia foi sua no capital da empresa. Todos os recursos foram negados até agora, mas o médico insiste em tentar reaver sua parte.

De acordo com James, em 1983, recém-formado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ele teria recebido de seus pais 56% do capital do laboratório. Quatro anos depois, ele assinou um documento devolvendo as cotas. James alega na Justiça que estava em meio a um tratamento de esquizofrenia crônica quando devolveu sua participação na empresa e agora quer anular o distrato. O diretor jurídico do laboratório, advogado Mário Venturelli, contesta as informações e alega que tudo foi feito legalmente.

“O que ele quer é se vingar do laboratório”, dispara o diretor jurídico Mário Venturelli. O advogado aponta uma série de contradições nos relatos de James, com base nos despachos da 19.ª Vara Cível, de Curitiba, onde tramitam as ações. A primeira delas, aponta Venturelli, é que James não seria esquizofrênico. “Como uma pessoa esquizofrênica pode concluir o curso de Medicina e ainda obter o título de mestre em micro-biologia e imunologia junto à renomada Escola Paulista de Medicina?”, questiona o advogado. “Ele é louco apenas quando quer.” Em documento da 19.ª Vara Cível, consta ainda que o médico é declarado interditado desde 1997.

Controvérsias

Na versão de James Frischmann Aisengart, em 1978, quatro pessoas ?, o médico Emílio Salvador Granato, e os farmacêuticos-bioquímicos Vítor Ascânio Caldonazo, Henrique Lerner e Luiz Eiyti Ioshizumi ? teriam comprado 40% das cotas, pagando por elas o valor nominal. Em meados de 1983, ele teria se tornado sócio-majoritário e começado a trabalhar junto à diretoria. Quatro anos depois, sob pressão dos demais diretores que alegavam que James não tinha condições de continuar à frente do laboratório, seus pais tomaram de volta as cotas. “Não sou nenhum monstro, mas me tratavam como se eu fosse. Nunca tive apoio na mesa de trabalho”, ressente-se James.

Anos depois, teria voltado a receber as cotas, mas apenas 4% ? quantidade que mantém ainda hoje ? e não mais 56%. Em 91, seu pai, Oscar, morreu. Quatro anos depois, a mãe de James teria doado 10% do capital aos diretores. Em julho último, foi realizada cisão com a dona Fani, atualmente com mais de 80 anos de idade, na qual ficou decidido que ela passaria a participação aos diretores, em troca de imóveis. “A gente nem participou da negociação. A minha mãe, idosa, fala que ainda é a diretora do laboratório, mas não é mais”, afirma James. A última decisão tomada pela diretoria, de transformar o laboratório de sociedade por cotas em sociedade por ações ? o que permite que as participações sejam vendidas ? é, segundo James, uma “jogada da diretoria” de distribuir as ações, impedindo, praticamente, que elas voltem para o médico.

Já o advogado Mário Venturelli contesta as acusações. Segundo ele, “há muito tempo o laboratório precisava da retomada de crescimento, para conseguir capitalizar mais”, daí a transformação em S/A. Quanto à compra de 40% das cotas, em 1978, Venturelli nega a informação, alegando que a empresa nunca foi apenas familiar. Já em relação à mãe de James, ele conta que ela continua sendo diretora-presidente do laboratório, pois foi a fundadora.