Saúde

Hantavírus pode causar uma pandemia como a Covid-19? Veja o que diz especialista

Foto: Lenets_Tatsiana | Depositphotos | Imagem ilustrativa

A notícia de que três pessoas morreram e outras cinco foram infectadas por hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro traz o temor da possibilidade de uma nova pandemia, como a causada pela Covid-19.

A infectologista Flávia Cunha Gomide Capraro afirma que o novo vírus não deve causar um efeito tão preocupante como a covid. No entanto, isso não significa que o hantavírus deve ser ignorado.

No Paraná, em 2026, foram confirmados dois casos da doença e outros onze estão em investigação.

O que é o hantavírus?

O hantavírus não é um vírus novo, pois circula naturalmente entre roedores e é transmitido ocasionalmente a humanos. Ele está presente há décadas em ecossistemas mundiais, mas se comportam de maneiras diferentes dependendo da região geográfica.

Nas Américas, a infecção pode levar à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), uma condição que compromete rapidamente os pulmões e o coração. Já na Europa e na Ásia, os hantavírus são conhecidos por causar febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), que afeta principalmente os rins e os vasos sanguíneos.

A infectologista Flávia Cunha Gomide Capraro, do Hospital Sugisawa, em Curitiba, explica que no Brasil o hantavírus costuma ser confundido com a leptospirose, por também estar associada a roedores e ter sintomas parecidos.

“Em geral, o quadro começa parecendo leptospirose. Mas quando evolui de forma mais grave, com comprometimento pulmonar ou renal mais intenso, aí começamos a entender como hantavírus”, explica a especialista.

Qual cepa do hantavírus está no navio?

Dentro da família dos hantavírus, apenas algumas cepas causam doenças em humanos. O vírus Andes, presente na América do Sul – principalmente no Chile e na Argentina -, é um caso, com transmissão humano-a-humano, ainda que de forma bem limitada. Segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), essa foi a cepa identificada no navio.

Na grande maioria dos casos, o hantavírus chega ao ser humano a partir do contato com roedores infectados, especificamente com a urina, fezes ou saliva destes animais. Atividades que envolvem contato com roedores, como a limpeza de espaços fechados ou mal ventilados, trabalho agrícola, atividades florestais e dormir em locais infestados por roedores, aumentam o risco de exposição.

Flávia ressalta que a transmissão entre pessoas, que parece ter ocorrido no caso do cruzeiro, exige condições muito específicas. “Em geral ocorre entre familiares ou parceiros íntimos. Então não é um vírus facilmente transmissível como o coronavírus, que transmite pelo ar e pelas interações sociais. Isso já nos diz que o hantavírus tem baixo potencial de disseminação”, diz.

A prevenção, portanto, depende do controle ambiental: manter casas e locais de trabalho limpos, vedar frestas que permitam a entrada de roedores, armazenar alimentos de forma segura e adotar cuidados redobrados ao limpar ambientes contaminados por excrementos de ratos. Deve-se evitar varrer a seco ou usar aspirador de pó nesses locais, já que isso pode dispersar partículas virais pelo ar.

Louças, talheres, roupas e ambientes por onde passaram roedores devem ser lavados de volta e desinfetados.

Sintomas do hantavírus

Os sintomas surgem entre uma e oito semanas após a exposição e são:

  • febre
  • dor de cabeça
  • dores musculares
  • sintomas gastrointestinais como dor abdominal
  • náusea ou vômito

Nos casos de SCPH, a doença pode progredir rapidamente para tosse, falta de ar, acúmulo de líquido nos pulmões e choque.

O diagnóstico precoce é especialmente desafiador porque os sintomas iniciais se confundem com diversas outras doenças, como gripe, Covid-19, pneumonia viral, leptospirose ou dengue. Por isso, o histórico do paciente, especialmente quanto à exposição a roedores, é fundamental para o médico considerar o hantavírus.

Não existe tratamento antiviral nem vacina para o hantavírus. O cuidado é de suporte e foca no monitoramento clínico do paciente. “Se a pessoa apresentar insuficiência respiratória, precisa de suporte ventilatório, às vezes intubação. Se houver insuficiência renal, necessida hemodiálise”, explica Flávia.

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade pelo hantavírus varia de menos de 1% a 15% na Ásia e na Europa, podendo chegar a 50% nas Américas, onde a cepa predominante é mais agressiva. Nos Estados Unidos, menos de mil casos foram registrados até hoje, enquanto países como Argentina, Brasil, Chile e Paraguai relatam pequenos números de casos anualmente.

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