A ocupação de parte do conjunto Moradias Cerâmicas, no Tatuquara, por famílias que estão há cerca de um mês acampadas no local, trouxe a questão habitacional novamente à tona em Curitiba. Entre a população de baixa renda da cidade, são comuns os relatos de pessoas que dizem estar há décadas na fila da Companhia de Habitação Popular (Cohab). Em busca de explicações para esses problemas, o Paraná Online entrevistou o presidente da Cohab, Ubiraci Rodrigues.

Qual é a situação do pessoal que está acampado no conjunto Moradias Cerâmica?

Temos lá 926 unidades para pessoas que moram em beira de rio. Quando as casas já estavam prontas, houve a invasão de 146 unidades. A desocupação foi pacífica, mas 42 famílias ficaram acampadas na rua. Há diversas situações. Algumas famílias não se enquadram no programa, pois têm renda maior que R$ 1.600 ou não vivem em área de risco. Outras não estão na fila da Cohab.

Há alguma solução para o problema deles?

Felipe Rosa
Ubiraci: produção ainda é pequena. Mínimo a ser construído em quatro anos é 15 mil unidades.

Visitamos as residências de todas as famílias e encontramos três enquadradas no programa de auxílio-moradia, que paga aluguel pelo prazo de seis meses, mas só duas aceitaram. Eles nos apresentaram mais quatro famílias, que conseguimos enquadrar no programa. Eles então se comprometeram a desocupar a área. Assim que apresentarem a documentação, essas seis famílias vão receber o auxílio-moradia e eles farão a desocupação.

E as outras famílias, vão para onde?

Todas têm para onde ir. Na casa de parentes, imóveis alugados ou mesmo algumas que têm casa própria, mas estavam insatisfeitos com sua condição. Mas todas elas têm solução de moradia.

Qual é o tamanho da fila da Cohab e quanto tempo demora pra conseguir uma casa?

Temos três formas de atender a fila. Quando as famílias estão em área de risco, a Cohab vai atrás e muda elas de lugar. Outro jeito são as pessoas que procuram a Cohab e se inscrevem. Essa fila tem hoje 73 mil famílias. Dessas, 42 mil têm renda mensal de até R$ 1.600 e entram no programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal. Por norma, são atendidas por sorteio e não por ordem de inscrição na fila.

Como são feitos esses sorteios?

Quando tem um empreendimento, as famílias que têm interesse e estão enquadradas no programa são chamadas e a gente faz o sorteio. É público e todos podem acompanhar. Em Curitiba, já foram feitos sete sorteios. O último sorteio foi feito no Parque Barigui, porque tinha muita gente e nosso auditório ficou pequeno.

E a faixa de renda mais alta?

As famílias que ganham mais de R$ 1.600 são atendidas por empreendimentos construídos com recursos do FGTS e daí é por ordem de inscrição. Quando o empreendimento é lançado, a gente chama as famílias que estão na fila, para saber se tem interesse. Estamos atendendo o pessoal inscrito em março de 2011.

A fila está diminuindo ou aumentando?

Nos últimos anos, para a faixa de renda de até R$ 1.600, foram produzidas cerca de 4.500 unidades. Para uma fila de 42 mil pessoas, estamos produzindo muito pouco. O projeto do governo Gustavo Fruet é produzir em quatro anos 15 mil unidades. É o mínimo que a gente pretende. Assim, acreditamos que vamos poder dar uma boa esvaziada nessa fila.

O bairro Ganchinho tem recebido novos conjuntos habitacionais, mas as pess,oas se queixam que o bairro não tem creches, escolas e postos de saúde para atender essa demanda…

Em março, no aniversário da cidade, vamos entregar 2 mil unidades na região. O projeto é privado, o terreno foi vendido e uma construtora vai fazer. Estão previstos escola, creche, posto de saúde, mas a velocidade da construção é menor, porque são recursos totalmente públicos. Nem tem obra lá ainda, não sei nem se já tem licitação. Mas a prefeitura vai garantir acesso a escola para as famílias que vão para lá, nem que tenha que pagar transporte para todos. Para essa inauguração, a presidente da Dilma Rousseff deve vir e a primeira coisa que ela vai perguntar ao prefeito é isso. Ela fica muito nervosa com isso, quer que tenha todos os equipamentos. E o prefeito vai garantir.

Felipe Rosa
Acampados na calçada pedem moradia decente.
Felipe Rosa
Desocupação pacífica dos invasores. Mas 42 famílias ficam na rua sem onde morar.