Os cerca de 3 milhões estudantes de creches, escolas e faculdades do Paraná, das redes públicas e privadas, vão ficar mais uma semana em casa. A volta às aulas foi adiada pela segunda vez, agora para o dia 17, como forma de reduzir o contágio do vírus A (H1N1), causador da nova gripe (gripe suína).

A medida foi anunciada ontem pela prefeitura de Curitiba, governo estadual, União dos Dirigentes Municipais de Educação do Paraná (Undime) e Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe-PR). Na quarta-feira, o município de Londrina e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) já haviam divulgado decisão semelhante.

Para os estudantes, a medida não deve ser encarada como prolongamento das férias. Com os filhos em casa, não adianta correr para shoppings ou cinemas, por exemplo, lugares em que a concentração de pessoas também é grande e o contágio fica facilitado.

“É importante que os pais entendam que não é um período de férias, mas sim uma medida que evita que as crianças fiquem em espaços com aglomeração”, explica o presidente da Undime-PR, Cláudio Aparecido da Silva.

Durante o recesso, nos colégios estaduais deve ser estruturado o programa “Cuidadores da Gripe”, parceria entre as secretarias estaduais da Saúde e da Educação, que vai preparar voluntários nas escolas para atender e encaminhar casos suspeitos da nova gripe.

O primeiro adiamento da volta às aulas aconteceu na semana passada, após consulta a médicos e infectologistas. No governo estadual, a decisão foi tomada para tranquilizar a população sobre a doença, e não com base em dados epidemiológicos, segundo o secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin.

Reposição

Segue indefinido, por enquanto, como vai ficar a reposição das aulas. A prefeitura de Curitiba ainda vai discutir a questão e, nas instituições privadas, depende do calendário de cada uma delas, assim como nas universidades estaduais.

Na UFPR, a Pró-reitoria de Graduação vai refazer o calendário e, embora ainda nada esteja confirmado, as aulas devem ser estendidas alguns dias no fim do ano. Em Campo Largo, as aulas devem ser repostas aos sábados.

Mais Tamiflu

Enquanto o antiviral Tamiflu infantil continuar em falta em Curitiba, a Secretaria Municipal da Saúde vai fazer a diluição da forma de apresentação para adultos em farmácia de manipulação. Ontem havia 105 crianças na fila de espera pelo medicamento.

Com o procedimento, o tempo de espera pelo remédio cairá de 15 horas para 6 horas, segundo a prefeitura. A partir de hoje, o remédio estará disponível em qualquer uma das oito unidades de urgências médicas de Curitiba, o que até agora só acontecia no Centro de Urgências Boa Vista.

Outra novidade a partir de hoje é a implantação do serviço de call center para monitoramento da evolução do estado de saúde dos suspeitos de terem contraído a nova gripe e estejam em isolamento domiciliar.

Outras precauções

Também em Curitiba, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o INSS tomaram medidas a circulação de pessoas em seus prédios. No caso do INSS, haverá triagem na entrada de cada agência e só quem tiver hora marcada será atendido.

Brasil já responde por 12% das mortes no mundo


Luciana Cristo com agências

Embora até o dia 1.º de agosto o Brasil representasse apenas 1,8% dos casos de gripe A (H1N1) no mundo, o número de mortes no País equivalia a 8% do total de vítimas fatais registradas no planeta pela Organização Mundial de Saúde.

Com as novas mortes anunciadas esta semana nos estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, elevando o total de óbitos para pelo menos 141, o Brasil já tem 12% do total de vítimas fatais do mundo. É o mesmo percentual do México, onde a pandemia começou.

Os Estados Unidos lideram o número de mortes no mundo, com 353 casos registrados, o equivalente a 30,5% do total de óbitos. Em seguida, está a Argentina com 337 casos – ou 29,2% do total de vítimas fatais no mundo.

Ontem, foram confirmadas mais três no Rio Grande do Sul, uma na cidade paulista de Nova Odessa e uma no Paraná. A Secretaria Municipal de União da Vitória confirmou o óbito, sem divulgar detalhes da vítima fatal. Com esse dado, sobe para 28 o número de mortes causadas pelo A (H1N1) no Estado.