Funcionários da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância Saza Lattes entraram em greve ontem, devido aos salários atrasados. Com isso, onze unidades de saúde e três creches mantidas pela ONG estão com as atividades paralisadas. Segundo a diretora de uma das creches, que prefere não se identificar, há três meses os empregados não recebem salários. Os funcionários dizem que está faltando dinheiro até para comprar comida. Por essa razão, resolveram procurar a ajuda do Sindicado dos Empregados e Entidades Culturais Recreativas de Assistência Social de Orientação e Formação Profissional (Senalba). A greve persistirá até que os salários sejam regularizados.

A ONG, criada em 1954, foi a primeira entidade a receber autorização para administrar parte do sistema de saúde de Curitiba. Hoje com 215 funcionários, a entidade presta amplo atendimento. As onze unidades de saúde espalhadas por diversos bairros da capital chegam a atender cerca de treze mil pessoas por mês com serviços gratuitos na área de odontologia, pediatria, clínica médica, ginecologia, obstetrícia, enfermagem e serviço social. Já as três creches situadas nos bairros de Umbará, Jardim das Américas e Capão da Imbuia, mantêm aproximadamente 400 crianças.

Segundo o presidente da ONG, Paulo Azzolini, que há dois anos está no cargo, a associação já passou por dificuldades semelhantes, mas neste caso a situação é mais crítica. Apesar do convênio que a ONG possui com a Prefeitura, o déficit financeiro é muito grande.

Para Azzolini, o principal problema é a falta de negociação da Senalba, que em vez de tentar fazer um acordo com a associação, acaba processando a entidade, que muitas vezes é obrigada a pagar multas superiores a R$40 mil. “Não há organização que resista a essas cobranças. Apesar de estarem certos judicialmente, falta bom senso, pois dessa forma em vez de ajudar a classe, estão contribuindo para a sua demissão”, diz ele.

Para tentar solucionar o problema, Azzolini se reuniu na segunda-feira com o prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi solicitando ajuda. Caso não haja respaldo municipal, a ONG vai ser obrigada a fechar as portas. O desfecho do problema deve sair durante esta semana.