Foto: Lucimar do Carmo/O Estado

Gravidez tardia pode ser um problema.

As mulheres estão adiando cada vez mais o sonho de se tornarem mães, o que vem preocupando bastante médicos ginecologistas, obstetras e especialistas em reprodução humana. Uma pesquisa realizada recentemente em São Paulo, mas que reflete uma realidade comum verificada em quase todo o País, revela que o número de mulheres entre 35 e 39 anos de idade que tiveram filhos em 2005 é 2,3% superior do que o constatado em 1995.

Em Curitiba, entre as mulheres atendidas pelo programa Mãe Curitibana, da Prefeitura, 13% das gestantes têm mais de 34 anos. ?As pessoas estão casando mais tarde e, conseqüentemente, tendo filhos mais tarde. Antes de engravidar, muitas mulheres pensam em se estabelecer profissionalmente e obter independência financeira?, comenta o coordenador do programa, Edvin Javier Boza.

Na opinião do especialista em reprodução humana Jonathas Borges Soares, o grande problema é que o adiamento da gravidez muitas vezes impede a realização do desejo de ter um bebê. ?As chances de gestação diminuem com a idade em decorrência de vários problemas ginecológicos, como cistos, miomas, infecções e endometriose. Além do mais, com o passar do tempo vai havendo uma redução da reserva de óvulos, que nascem com a mulher e também vão envelhecendo?, afirma.

Quando a gravidez acontece após os 35 anos, seja naturalmente ou após a realização de tratamentos de fertilidade, os riscos para a saúde da mãe e da criança costumam ser maiores. De acordo com a médica ginecologista e obstetra Raquel Uhlig, do Mãe Curitibana, pode haver uma série de complicações, que incluem maior risco de aborto; dificuldade em entrar em trabalho de parto natural, o que aumenta o número de cesarianas; prematuridade e baixo peso do bebê. ?Além disso, a gestante fica mais sujeita a ter descolamento de placenta, hipertensão e diabetes. Já o bebê tem mais chances de nascer com alterações cromossômicas, sendo que a principal delas é a Síndrome de Down.