Golpes digitais

Golpes online crescem no Paraná e falsas vagas de emprego viram armadilha; veja como evitar

O Anuário da Segurança Pública revela que o estelionato por meio eletrônico cresceu 29,7% entre 2024 e 2025 no Paraná. Foto: Depositphotos | Imagem ilustrativa

Ao mesmo tempo em que a internet e as redes sociais facilitam muitas questões do dia a dia, elas também podem ser porta de entrada para crimes. Um desses é o golpe do falso emprego, quando os golpistas usam da boa-fé das pessoas para conseguir dados e dinheiro.

O advogado Felipe Lima, que já atendeu diversos casos de golpes online, explica que há duas abordagens mais conhecidas. A primeira ocorre quando os golpistas entram em contato com a vítima pedindo uma taxa e fingem que fazem parte de um processo seletivo.

Já a segunda é quando as pessoas são abordadas nas redes sociais com propostas de trabalho home office. Elas iniciam o trabalho acreditando que vão receber comissões por acessar certas plataformas ou avaliar serviços. No começo há um pequeno retorno, mas as taxas de adesão vão crescendo até que a vítima perca muito mais dinheiro do que recebeu.

Estelionato por meio eletrônico cresce no Paraná

Apesar de não ter um número exato de quantas vítimas esse golpe fez, o Anuário da Segurança Pública revelou que o estelionato por meio eletrônico cresceu 29,7% entre 2024 e 2025 no Paraná. No ano passado, 11,52 mil pessoas caíram em algum golpe online. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com a entidade, não se trata de casos isolados, mas sim de operações estruturadas, com divisão de trabalho, roteiros, metas e uma infraestrutura tecnológica dedicada. O advogado revela que já conheceu lugares que se assemelhavam a centrais de call center apenas para aplicar golpes e destaca que, com essa rede organizada, torna-se mais difícil identificar os golpistas.

Lima diz que, com o avanço da inteligência artificial, os golpistas conseguem expandir ainda mais o número de mensagens enviadas diariamente, o que pode provocar o aumento de casos em 2026.

O delegado Thiago Pereira, do Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), da Polícia Civil do Paraná (PCPR), reforça que os golpes aumentaram nos últimos anos exatamente pela facilidade da internet. “Eles atuam de várias maneiras, por vezes só de forma remota, encaminhando supostas ofertas de vagas de emprego”, afirma.

Cuidado e desconfiança para se proteger

O advogado orienta que, sempre que houver um contato, é preciso prestar atenção no senso de urgência do outro lado da linha. Os golpistas, geralmente, querem que as transferências sejam feitas na hora.

Além disso, na maior parte dos casos, o número ou e-mail não é idêntico ao oficial, seja no caso de bancos ou de empresas recrutadoras. Uma rápida busca na internet para averiguar o contato da empresa pode evitar um golpe.

O delegado do Nuciber ressalta que é preciso ter cuidado e buscar os canais de atendimento oficiais. Ele explica ainda que, na procura por emprego, o futuro empregador não deve pedir pagamento de taxas.

Os dois profissionais também reiteram para a população que, caso alguém tenha caído no golpe, a primeira ação é ligar para o banco para tentar suspender as transações efetuadas. Em seguida, é indicado registrar um Boletim de Ocorrência.

Golpes do falso emprego já vivenciados

Lima conta que um de seus clientes no Paraná caiu no golpe do falso emprego em 2024. A oferta era de um trabalho home office com diversas tarefas — sendo uma das últimas realizar o pagamento aos golpistas. O prejuízo foi de R$ 25 mil. Assim que constatou a fraude, ele registrou o B.O.

O cliente tem uma deficiência física, o que dificulta a entrada no mercado de trabalho. Ele viu na oferta uma maneira de gerar renda e acabou enganado.

A advogada Júlia Piazera relata um caso mais estruturado, que envolvia o recrutamento de mulheres brasileiras para a Irlanda em uma situação de exploração sexual. A expectativa das vítimas era estudar, trabalhar e buscar uma oportunidade econômica melhor.

As abordagens eram feitas principalmente por redes sociais, com variação nas atividades oferecidas no país estrangeiro. Os golpistas passavam segurança, conversando frequentemente com as mulheres. Nos primeiros dias na Irlanda, parecia que a promessa realizada no Brasil estava se concretizando, mas a realidade mudava.

“A vítima recebe dinheiro, pode possuir telefone e eventualmente circular. Mas fica economicamente dependente da própria estrutura”, destaca Piazera.

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