Allan Costa Pinto
Aparelhos medidores de energia adulterados.

O consumidor de energia elétrica paga mais caro pelo uso da luz devido aos constantes furtos e fraudes no sistema da Companhia Paranaense de Energia (Copel). As pessoas precisam arcar com o custo da geração da empresa, inclusive a parte daqueles que burlam a lei, fazendo o famoso “gato”. Só que essa prática pode trazer graves riscos de incêndios, queima de equipamentos e choques elétricos, podendo até levar à morte. A população envolvida com isso sofre sanções criminais, que variam entre um e oito anos de prisão mais multa, dependendo da forma com que o crime foi cometido.

O furto e fraude da luz ocorrem de forma generalizada, em todas as regiões da cidade. São casas, áreas de invasões, indústrias e estabelecimentos comerciais usando a energia e não pagando por ela. Alguns segmentos são recordistas nesse crime, mas a Copel não quis identificá-los por questão de segurança e preservação das identidades. “Somente neste ano, nós encontramos uma indústria da Região Metropolitana de Curitiba que deixou de pagar R$ 400 mil”, conta Gilson Zardo, gerente da área de relacionamento com clientes da Copel. “Toda a sociedade perde com a inadimplência. Os outros pagam pelos fraudadores e isso não é justo”, avalia. Ele alerta para que o consumidor fique atento com pessoas que oferecem serviços de redução de energia e não contam que a prática é crime.

A empresa acha os locais com desvio de energia utilizando as informações de faturas, consumo e denúncias que chegam na ouvidoria e na central de atendimento da Copel. Em 2001, foram encontradas 1.183 irregularidades; em 2002, 2.287; e em 2003, 6.146. “Está havendo maior incidência, mas os números aumentaram porque o combate também está sendo maior”, explica Zardo.

Quando o eletricista da Copel vai até o lugar com suspeita, faz a identificação do problema e verifica o medidor, a leitura dele, o lacre e se há desvio de luz. Detectado o crime, um termo de ocorrência é preenchido com todas as informações e fotos do local são tiradas. O laboratório da Copel analisa posteriormente o medidor para reiterar ou não as irregularidades.

O coordenador da equipe de inspeção da Copel, Eduardo Silva Mendonça, explica que a fraude e o furto de energia são feitos normalmente de forma bem amadora. “Nós já encontramos grampo de cabelo, papel, até uma cerda de vassoura”, comenta. Nesse último caso, a pessoa fez um furo na caixa do medidor e colocou a cerda, parando a rotação do disco e o marcador. Quando percebia a presença próxima de um funcionário da Copel, tirava a cerda da vassoura e o marcador girava.

Com as autuações, a empresa calculou que deveria receber a mais, em 2003, R$ 4,824 milhões de valores corrigidos daqueles que não pagaram pelo consumo. Segundo Zardo, 30% das pessoas que são apanhadas cometendo o crime entram com recurso na Justiça para contestar o parecer da Copel, que dá ao consumidor a oportunidade de verificar todas as etapas do processo. Daqueles que não recorrem em instância judicial, 60% pagam os valores. “Esse combate também ajuda o Estado. O governo recolhe ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) com a energia, que representa 27% da conta. O valor incrementado (a quantidade que não vai deixar mais de perder) chegou a R$ 2,764 milhões em 2003”, aponta Zardo.