Adolescentes gastam várias horas em
frente ao monitor, desenvolvendo o vício.

Pode parecer loucura passar horas na frente do computador, muitas vezes sem dormir e sem se alimentar direito. Porém, para os apaixonados por jogos eletrônicos, é pura diversão e prazer. Engana-se quem pensa que o gosto por jogos de computador é exclusivo das crianças. Praticar jogos eletrônicos, cujo mercado cresce cada vez mais no mundo, conquista pessoas de todas as idades e de ambos os sexos.

Educadores, psicólogos e mesmo responsáveis pelo desenvolvimento dos jogos costumam se perguntar se a atividade, aparentemente inofensiva, pode ou não se tornar um vício na vida de determinadas pessoas, prejudicando-lhes o convívio social e até a saúde. O assunto é considerado polêmico e gera muitas divergências.

Na opinião do coordenador da rede de desenvolvimento de jogos Game Net, com sede em Curitiba, Kazushige Asanome, a atividade, quando vista pelo lado da diversão, não pode ser definida como um vício. Asanome é participante do II Congresso Internacional de Tecnologia e Inovação em Jogos, que se encerra hoje na sede do Cietep. “É claro que existem exceções, como pessoas que deixam de dormir e se alimentar em horários adequados para ficar jogando”, admite. “Entretanto, os jogos têm muitos aspectos positivos: pesquisas indicam que eles incentivam o raciocínio lógico, desenvolvem a coordenação motora, a capacidade de visualização e a criatividade, principalmente nas crianças.”

Muitos dos jogos disponíveis no mercado também são considerados violentos, sendo inclusive acusados de incentivar a violência. Segundo Kazushige Asanome, existem jogos específicos para cada faixa etária e cabe aos pais observarem as informações presentes nas embalagens dos jogos, incluindo as referentes à idade, com o objetivo de determinar que tipos de jogos são adequados ou não a seus filhos. “É recomendável que os pais joguem junto com seus filhos”, aconselha. “Só assim eles vão poder realmente saber o que é bom ou ruim para eles.”

Mercado de bilhões de dólares

O mercado mundial de jogos eletrônicos, segundo a assessoria de imprensa do 2.º Congresso Internacional de Tecnologia e Inovação em Jogos para Computador, movimentou, no ano 2000, cerca de US$ 20 bilhões. No Brasil, no mesmo ano, foram US$ 500 milhões.

Nos EUA, maior mercado consumidor e de desenvolvimento de jogos, a indústria de software gerou 220 mil postos de trabalho, pagou US$ 9 bilhões em salários e impostos e cresceu 14,9% ao ano, “mais que o dobro da taxa de crescimento total da indústria americana”.

Este ano, um novo mercado, os jogos para telefones celulares, deve movimentar cerca de US$ 1,6 bilhão de dólares nos EUA e na Europa. A previsão dos especialistas é que esse número deve alcançar US$ 6 bilhões em 2005.