Eleito governador do Paraná no primeiro turno das Eleições 2026, Sergio Moro (PL) fez da segurança pública uma das principais bandeiras de sua campanha. Entre as promessas, estão a criação de forças-tarefa integradas pelas polícias Civil e Militar para desmantelar facções criminosas e a construção de uma unidade penitenciária estadual de segurança máxima.

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Agora, eleito, Moro terá o desafio de conciliar novas medidas com a manutenção dos índices de segurança já alcançados pelo estado. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, o Paraná reduziu a taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) no último ano, chegando a 15,5 mortes por 100 mil habitantes.

Outros indicadores também apresentaram queda. O número de vítimas de homicídio doloso diminuiu 24,1%, passando de 1.663 para 1.270 mortes. Já os casos de latrocínio recuaram 11,6%. 

No sistema penitenciário, o Paraná está entre os líderes nacionais no aproveitamento da mão de obra carcerária por meio de parcerias com o setor privado, com 4.525 pessoas privadas de liberdade trabalhando. 

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Apesar dos avanços, outros indicadores exigem atenção. Na comparação entre os dois últimos anuários, as Mortes Decorrentes de Intervenção Policial (MDIP) aumentaram 19,8%, passando de 400 em 2024 para 482 em 2025. Os registros de receptação cresceram 48,3%, de 3.921 para 5.847 ocorrências, enquanto os golpes digitais aumentaram 29,7%. 

Na área de violência contra a mulher, os descumprimentos de Medidas Protetivas de Urgência (MPU) subiram 22,8%, totalizando 23.220 casos. O Paraná também manteve a maior taxa do país nesse indicador. Os registros de violência psicológica e importunação sexual igualmente aumentaram.

Promessas a serem cumpridas para a segurança

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Em seu plano de governo, Moro sinalizou a intenção de manter e ampliar iniciativas já existentes no estado, como a Patrulha Maria da Penha e os sistemas de alerta da Defesa Civil. As propostas de campanha também se concentram no enfrentamento ao crime organizado, no uso de tecnologia e na reestruturação do sistema prisional.

Ao registrar uma candidatura ao Poder Executivo — seja à Presidência da República, ao governo estadual ou à prefeitura —, o candidato deve apresentar um plano de governo à Justiça Eleitoral. O documento reúne compromissos e diretrizes da campanha, mas não tem força de lei após a eleição. Ainda assim, serve de referência para que os eleitores acompanhem e cobrem a execução das propostas. 

O plano apresentado por Moro está estruturado em um modelo transversal de Governança Regionalizada e dividido em cinco pilares temáticos, que organizam as diretrizes e os projetos. As iniciativas são descritas em três partes: nome do projeto, breve explicação e detalhamento da ação proposta.

Para facilitar a compreensão dos compromissos do futuro governador, a Tribuna do Paraná selecionou as principais propostas relacionadas à segurança pública, ao combate à corrupção, ao sistema prisional e à Defesa Civil. A íntegra do plano está disponível na aba “Propostas” da página do candidato no DivulgaCand.

Confira, a seguir, as propostas:

Segurança

  • Criar forças-tarefa policiais nos moldes da Operação Lava Jato, integrando agentes de diferentes corporações, da Receita Estadual e de outros órgãos estaduais para desmantelar organizações criminosas, facções e quadrilhas, prender seus integrantes e confiscar seus patrimônios;
  • Criar centros integrados para reunir agentes das polícias Militar, Civil, Científica e Penal, do Corpo de Bombeiros e de órgãos federais ou de outros estados, promovendo o compartilhamento de inteligência e bancos de dados, além do planejamento conjunto e da realização de operações;
  • Criar uma base aérea permanente em Foz do Iguaçu e uma diretoria de fronteiras;
  • Realizar concursos periódicos para ampliar o efetivo das forças policiais;
  • Remanejar policiais que atualmente desempenham funções administrativas para atividades de patrulhamento e investigação, transferindo tarefas internas para servidores administrativos e policiais da reserva, quando permitido por lei;
  • Ampliar a Patrulha Maria da Penha e criar patrulhas dedicadas à proteção de idosos, crianças e adolescentes;
  • Reforçar o efetivo nos períodos de maior risco, como as festas de fim de ano e a temporada de verão, antecipando-se aos períodos de maior incidência criminal;
  • Promover ações integradas entre as forças de segurança, a assistência social e os serviços de saúde;
  • Padronizar procedimentos entre as forças policiais, a assistência social, os serviços de saúde e a Justiça.

Inteligência

  • Criar a Fortaleza Digital Paranaense, com câmeras de monitoramento;
  • Implementar tecnologias de rastreamento químico para fortalecer as perícias;
  • Ampliar a capacidade de elucidação de crimes complexos;
  • Criar um centro integrado de formação, especialização e pós-graduação para profissionais da segurança pública;
  • Conectar os sistemas de segurança estaduais, municipais e de outros estados para agilizar o compartilhamento de informações, fortalecer investigações e prevenir crimes;
  • Antecipar medidas de proteção em casos de violência contra a mulher.

Combate à corrupção

  • Criar uma agência ou secretaria especializada na prevenção, no monitoramento e na investigação de irregularidades, fortalecendo a integridade, a auditoria preventiva e a proteção do interesse público em todas as áreas do Executivo;
  • Criar a carreira de Auditor Público Estadual;
  • Publicar os resultados do Programa de Integridade e Compliance do Estado;
  • Utilizar inteligência artificial para identificar contratos suspeitos e possíveis sobrepreços;
  • Implantar um centro especializado em inteligência financeira, rastreamento patrimonial e investigação de lavagem de dinheiro;
  • Criar unidades regionais especializadas na investigação de corrupção e lavagem de dinheiro.

Sistema penitenciário

  • Implantar uma unidade de segurança máxima, inspirada nas melhores práticas do sistema penitenciário federal, para isolar lideranças e integrantes de organizações criminosas de alta periculosidade;
  • Ampliar o trabalho prisional, com a participação de presos na construção de unidades penais e na execução de obras públicas;
  • Destinar parte da remuneração dos presos a melhorias nas próprias unidades prisionais;
  • Estabelecer parcerias público-privadas para construir, ampliar e modernizar unidades penais;
  • Firmar parcerias para inserir presos e egressos do sistema prisional em cooperativas e instituições de trabalho;
  • Ampliar as oportunidades de ensino e qualificação profissional dentro das unidades penais;
  • Implementar bloqueadores de sinal, reconhecimento facial e cruzamento de dados nas unidades prisionais.

Defesa Civil

  • Reduzir os impactos de eventos extremos e proteger vidas por meio de obras, monitoramento e mapeamento de riscos.
  • Expandir os sistemas de alerta precoce;
  • Ampliar as equipes especializadas no atendimento a catástrofes.

Assistência social

  • Ampliar a rede de acolhimento e proteção às mulheres em situação de violência;
  • Aumentar a participação do Estado no custeio de programas de assistência social;
  • Criar uma política de acolhimento e reinserção social da população em situação de rua;
  • Ofertar cursos técnicos e tecnológicos em Gerontologia na rede estadual de ensino;
  • Revitalizar o programa Cartão Comida, que oferece auxílio mensal destinado exclusivamente à compra de alimentos.