Uma turma de portadores de necessidades especiais tem feito a diferença. São os integrantes da equipe QuatroporQuatro de Power Soccer, o futebol em cadeira de rodas, esporte criado na França em 1978, mas no Brasil só chegou em 2010. Em Curitiba, o esporte vem se desenvolvendo há pouco mais de dois anos, graças à família Barbosa, que criou o Instituto Pontapé Inicial par difundir a modalidade no Paraná.

Tudo começou em 2011, quando o casal Ilton Barbosa e Maria Luiza de Aguiar e Sousa Barbosa levou seus filhos Ilton Júnior, 28, e Lucas, 24, portadores de distrofia muscular congênita, ao festival musical Rock in Rio. Durante o show, um representante da Associação Brasileira de Futebol em Cadeira de Rodas (ABCF) os procurou. “Como morávamos em Curitiba e não no Rio de Janeiro, a coisa ficou na conversa. Mas quando voltamos pra casa, os meninos vieram conversar e falaram se a gente gostaria de praticar o esporte. Foi assim que começou a nossa jornada”, conta Maria Luiza.

Bom e divertido

Logo após retornarem a Curitiba começaram as pesquisas. Descobriram que o Power Soccer é um esporte voltado para pessoas de qualquer idade e sexo portadores necessidades especiais e usem cadeira de rodas motorizadas no dia-a-dia. “Geralmente são portadores de distrofia muscular, tetraplégicos, talidamida e paralisia cerebral com movimentos motores finos preservados”, explica Maria Luiza.

“Para eu e meu irmão é a realização de um sonho, já que somos malucos por futebol. Quando soubemos da existência desse esporte fizemos de tudo para convencer nossos pais e praticar. E deu certo. É muito bom e divertido praticar o Power Soccer”, conta Ilton Jr.

Equipe é vice-campeã

A prática do Power Soccer em Curitiba se deu início em 2011, no ginásio da PUCPR e com a participação de apenas cinco atletas. Hoje, são 20 atletas que treinam semanalmente e já conquistaram o vice-campeonato brasileiro, disputado no Rio de Janeiro no ano passado. “Já temos número bacana de participantes, mas acho que poderíamos ter muito mais, porém, alguns ainda têm receio em relação ao esporte”, diz Ilton.

Ele explica que por existir o choque entre as cadeiras durante as partidas, muitos pais temem que seus filhos possam se machucar praticando o Power Soccer. “É uma preocupação natural, mas garanto que não é um esporte violento. As cadeiras contam com adaptação e os choques existem, mas não são violentos. Nunca houve acidente na história do esporte”, afirma o pai.

Controle de cada movimento

O Power Soccer é jogado entre duas equipes com quatro jogadores de cada lado, sendo três na linha e um no gol. As dimensões da quadra são as mesmas da de basquete. A bola é fabricada com o mesmo material do futebol profissional, mas com medida diferente, com diâmetro de 33 centímetros. Todas as regras são determinadas pela Federação Internacional de Futebol em Cadeira de Rodas (FIPFA).

“Tem gente que acha que não cansa, mas cansa sim. Ficamos muito focados no jogo, controlando cada movimento e o tempo todo de olho na bola. E esse estado de tensão cansa. É que nem dirigir por horas e horas. Por mais que você esteja parado, fica cansado”, diz Lucas. “No começo a dificuldade é ter controle da cadeira e que força colocar nela para acertar os passes e os chutes. Além disso, quando jogamos com times de fora, os nossos adversários jogam com cadeiras especiais para o esporte, que têm mais potência. Então isso faz muita diferença no jogo”, diz Ilton Jr.

Preço alto

O pai dos meninos explica que a cadeira só é fabricada fora do Brasil e é muito cara, cerca de R$ 15 mil. “O equipamento é caro e se for importar, fica mais caro ainda por causa dos impostos., Então, por enquanto, temos que nos virar com o que temos. Mas tudo bem”, argumenta Ilton.

Preparação pra disputa

A equipe QuatroporQuatro se prepara, neste segundo semestre, para disputar a segunda edição do campeonato brasileiro da categoria, em novembro, ainda sem sede definida. “Pode ser aqui em Curitiba ou novamente no Rio de Janeiro. Isso ainda não está definido. Tomara que seja aqui. Estamos treinando duro pra neste ano ser o campeão. Ano passado foi a equipe do Rio de Janeiro” , diz Ilton, confiante na equipe.

Maria Luiza é enfática e diz que a missão é mostrar que o Power Soccer é um esporte que pode dar algo mais para pessoas com esse nível de deficiência. “Tem algumas doenças, como a distrofia muscular de duchenne, que a criança perde os movimentos no meio da infância, por volta dos sete anos, e afeta mais a pessoa, porque ela vai ficando doente as poucos e deixa de viver e entra em estado de depressão. Então, queremos atingir esse público porque esse esporte pode oferecer muita coisa a uma criança que está sofrendo”, explica.