Chuniti Kawamura / O Estado do Paraná
O protesto foi feito com distribuição
de sementes de bracatinga na Rua XV.

Os funcionários da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) iniciaram ontem uma paralisação das atividades. O movimento é nacional e os servidores irão suspender os trabalhos durante três dias. Além do reajuste salarial de 36%, a categoria reivindica melhores condições de trabalho e recursos para o desenvolvimento das pesquisas.

De acordo com a presidente da seção sindical do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Marta de Fátima Vencato, a unidade da Embrapa Floresta – com sede em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba – vem sofrendo com o sucateamento do órgão. Segundo ela, só este ano o telefone da empresa foi cortado duas vezes por falta de pagamento. Além disso, os pesquisadores não têm recursos para fazer viagens para coletas de dados e sementes. “Isso prejudica imensamente nosso trabalho e coloca em xeque pesquisas de mais de oito anos”, disse o pesquisador Emerson Gonçalves Martins.

Entre os trabalhos ameaçados estão o da espécie exótica liquidambar e da nativa pata-de-vaca. Martins ressaltou que como não existem recursos para viagens, e a coleta de sementes precisa ser feita na época de florada, eles precisam esperar o próximo ano para continuar o trabalho. “É um retrocesso”, avaliou.

Outro problema enfrentado pelo órgão é falta de funcionários. Segundo o vice-presidente do Sinpaf, Antônio Medeiros, o governo federal não abre concurso público e, para tentar equacionar o problema, permite a contratação de estagiários. Mas como os repasses para o pagamento de salários desse pessoal não estão sendo feitos, 48 estagiários da Embrapa Floresta serão dispensados. “A folha de pagamento de dois meses de trabalho dos estagiários não ultrapassa R$ 10 mil. É insignificante pela atividade que desenvolvem”, avaliou Medeiros.

Outra vez

Para marcar a mobilização em Curitiba, os servidores da Embrapa Floresta fizeram, no centro da cidade, a distribuição de sementes de bracatinga, uma árvore nativa da região. Esta é a segunda paralisação dos servidores da Embrapa neste ano. A primeira aconteceu em 12 de maio, quando a categoria conseguiu abrir um canal de negociações com o governo. Mas até hoje, segundo afirma Marta Vencato, não se avançou muito, e a expectativa é que com essa paralisação de três dias consigam melhorar os acordos com o governo. A Embrapa tem um total de 8,5 mil funcionários, dos quais 400 estão no Paraná, nas unidades de Colombo, Ponta Grossa e Londrina.