A insegurança e o medo estão tomando conta dos moradores da Vila Hauer, em Curitiba. Para eles, o 7.º Distrito Policial é um barril de pólvora prestes a explodir. Superlotado, ele comporta atualmente 67 presos. A previsão inicial do local era comportar 24. Diversas rebeliões já ocorreram na prisão. O DP faz divisa com o Colégio Estadual Segismundo Falarz, colocando em risco a vida de professores, alunos e funcionários da instituição.

Na tentativa de solucionar o problema, o Conselho de Segurança do Boqueirão participou ontem de um encontro na secretaria de Estado da Segurança Pública. Após a reunião com o coordenador estadual dos conselhos comunitários, Benjamin Zanlorenci, e com um dos administradores da Secretaria, Gilson Garrett, o presidente do conselho do bairro, Civino Celso Oliveira, afirmou que o caso será encaminhado para a Divisão Policial da Capital, órgão responsável pelos distritos de Curitiba. Uma audiência com o delegado-chefe da divisão, Roberto Ferreira do Nascimento, deve ocorrer nos próximos dias.

A secretaria ainda informou que o conselho pediu mais policiamento ostensivo na região, mas explicou que o número de policiais para atender toda a demanda ainda é pequena. Segundo ele, cerca de mil policiais estarão se formando no final do ano e que, após esse processo, novos postos serão instalados em toda a cidade. “O problema é grave, pois estamos convivendo diretamente com a possibilidade de fuga de alguns presos. Ano passado já aconteceu um esvaziamento, quando os detentos foram removidos para as penitenciárias, mas agora a superlotação voltou”, explica Civino.

Sem absorção

O delegado-chefe da Divisão Policial da Capital afirma que o problema é que o sistema penitenciário não está conseguindo absorver o número total de detentos. Ferreira ainda ressalta que em outros distritos acontece o mesmo caso. “Não há como transferir os detentos. E se repassar para outros distritos, não vai resolver nada. O 3.º e o 8.º distritos estão com capacidade máxima, com 159 e 116 detentos, respectivamente”, diz. “Estou fazendo o possível para resolver a situação do 7.º Distrito, que fica ao lado de uma escola. Estou pedindo à Divisão de Investigação Criminal que interceda junto ao sistema penitenciário para receber os detentos do Boqueirão. É o que posso fazer”, completa o delegado.