Com o avanço do frio no Paraná, cresce também o uso de equipamentos para enfrentar as baixas temperaturas dentro de casa. Nesta terça-feira (11), por exemplo, a temperatura máxima em Curitiba não deve ultrapassar os 12°C. Aquecedores elétricos, ar-condicionado e lençóis térmicos voltam à rotina de muitas famílias, mas também levantam uma dúvida comum: qual deles pesa menos na conta de luz?

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A resposta depende de fatores como potência, tecnologia e tempo de uso. Enquanto alguns aparelhos podem elevar significativamente o consumo de energia, outros oferecem maior eficiência e ajudam a reduzir os custos durante o inverno.

Chuveiro elétrico lidera o consumo nos dias frios

O aumento no consumo está diretamente ligado à mudança na rotina das casas durante os dias frios. Chuveiros elétricos e aquecedores, por exemplo, passam a ser usados com mais frequência, o que pode elevar o gasto mensal de energia.

Segundo o gerente de Eficiência Energética da Copel, Márcio Palharim, esse aumento é esperado e faz parte da mudança de hábitos típica do inverno. “Com o inverno, de fato cresce o consumo de energia muito por conta do aumento da utilização de equipamentos, especialmente aquecedores e chuveiros elétricos.”

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Entre todos os aparelhos, o especialista destaca que o chuveiro elétrico costuma ser um dos maiores responsáveis pelo aumento da fatura. Isso porque, ao mudar a chave da posição verão para inverno, o equipamento precisa de mais energia para aquecer a água.

“Vamos destacar o chuveiro elétrico como principal vilão […] Naturalmente, o consumo se torna elevado no inverno, chegando a aproximadamente 25% a 30% de aumento na fatura de energia”, afirma.

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Outro fator que pode pesar na conta é o uso prolongado dos aquecedores elétricos. Como esses aparelhos demandam bastante potência para produzir calor, mantê-los ligados por várias horas, especialmente durante a noite, pode elevar significativamente o consumo mensal.

“São equipamentos que transformam energia elétrica em calor. Para isso, demandam muita potência. Além disso, o hábito de manter o aquecedor ligado por horas durante a noite faz com que a conta de luz aumente significativamente”, destaca Palharim.

Veja quanto cada aparelho pode pesar na conta de luz

Para ilustrar quanto cada equipamento pode pesar na conta de luz, foi utilizada uma projeção com base no simulador de consumo da Copel, considerando os principais aparelhos usados durante o inverno em uma residência.

No caso do aquecedor elétrico, do ar-condicionado e do lençol térmico, a simulação considerou o funcionamento durante oito horas por dia, todos os dias da semana. Já para o chuveiro elétrico, foi considerado um banho diário de 30 minutos, também ao longo de todos os dias da semana.

Os resultados mostram que o aquecedor elétrico portátil é o equipamento que mais pesa na conta de luz entre os aparelhos analisados. O consumo estimado é praticamente o dobro do registrado para um ar-condicionado utilizado na função aquecimento. Já o lençol térmico aparece como a alternativa de menor consumo, embora sua função seja apenas aquecer a cama, e não o ambiente.

EquipamentoTempo de uso na simulaçãoConsumo estimadoCusto estimado*
Aquecedor elétrico (2.000 W)8h por dia, todos os dias481,60 kWhR$ 500,59
Ar-condicionado (1.000 W)8h por dia, todos os dias240,80 kWhR$ 250,30
Chuveiro elétrico (7.200 W)30 min por dia, todos os dias108,36 kWhR$ 112,63
Lençol térmico (160 W)8h por dia, todos os dias38,52 kWhR$ 40,05

*Valores estimados pelo simulador de consumo da Copel para uma unidade residencial, sem considerar a incidência de bandeiras tarifárias.

Apesar de o chuveiro elétrico aparecer com um consumo menor que o do aquecedor na simulação, isso ocorre porque foi considerado um tempo de uso muito mais curto. Segundo a Copel, o equipamento segue como um dos principais responsáveis pelo aumento da conta de luz durante o inverno, especialmente quando a chave permanece na posição “inverno” e os banhos são mais longos.

Por que o ar-condicionado pode consumir menos

Embora o ar-condicionado exija um investimento inicial maior do que um aquecedor elétrico portátil, ele tende a ser a opção mais econômica no longo prazo. Segundo o professor do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ewaldo Luiz De Mattos Mehl, os modelos split com função quente e frio apresentam maior eficiência energética e conseguem aquecer o ambiente consumindo menos energia.

O especialista explica que existe um equívoco comum entre os consumidores ao relacionar preço de compra com economia na conta de luz. De acordo com ele, um aquecedor portátil costuma custar menos na loja, mas isso não significa que terá o menor consumo de energia.

“O aquecedor portátil custa menos para comprar, mas normalmente consome mais energia do que um ar-condicionado split”, reforça o professor. A diferença está na tecnologia utilizada por cada equipamento. Enquanto o aquecedor elétrico permanece ligado continuamente para gerar calor, o ar-condicionado conta com um sistema de controle de temperatura que reduz o consumo ao longo do uso.

“O ar-condicionado trabalha com termostato. Depois que o ambiente atinge a temperatura programada, o compressor passa a ligar e desligar automaticamente. Já o aquecedor elétrico permanece ligado continuamente enquanto está funcionando”, explica.

Nem sempre o aparelho mais potente é o melhor

A potência informada na etiqueta do aparelho é um dos principais indicativos do consumo de energia, mas não deve ser o único critério na hora da compra. Segundo Mehl, um equipamento de 2.000 watts, por exemplo, consumirá mais energia do que um de 1.500 watts quando estiver em funcionamento. No entanto, isso não significa, necessariamente, que ele seja mais eficiente.

“A potência representa o consumo do equipamento. Um aparelho de 2.000 watts consumirá mais energia do que um de 1.500 watts, mas eficiência não depende apenas disso. Também está relacionada à forma como o equipamento foi projetado e ao modo como distribui o calor”, relata.

Por isso, o professor orienta que o consumidor avalie também as características do ambiente e a tecnologia do equipamento antes da compra, em vez de considerar apenas a potência: “Quanto mais potente o aparelho, maior será o consumo. Nem sempre um equipamento mais potente será a melhor escolha para aquele ambiente.”

Entre as alternativas de menor consumo está o lençol térmico, bastante procurado por quem busca mais conforto durante as noites frias. No entanto, Mehl ressalta que o equipamento tem uma finalidade diferente da dos aquecedores e do ar-condicionado: ele aquece apenas a cama, e não o ambiente.

O professor também faz um alerta sobre o uso do equipamento. Segundo ele, o ideal é ligar o lençol térmico apenas pelo tempo necessário para aquecer a cama e desligá-lo antes de dormir, tanto por questões de segurança quanto para evitar consumo desnecessário de energia.

Forma de uso pode pesar tanto quanto o equipamento

Além da escolha do equipamento, a forma de utilização também faz diferença na conta de luz. Segundo Mehl, um aparelho eficiente pode acabar consumindo mais energia do que o necessário se permanecer ligado por tempo excessivo ou em ambientes vazios.

“O consumo depende tanto do equipamento quanto da forma de uso. Não faz sentido deixar um aquecedor ligado quando não há ninguém no ambiente”, afirma.

O especialista orienta que o aquecimento seja concentrado apenas nos cômodos que estão sendo utilizados. Para isso, manter portas internas fechadas ajuda a evitar a dispersão do calor, especialmente em ambientes como banheiros e cozinhas, que costumam perder temperatura com mais facilidade por causa dos pisos e revestimentos cerâmicos.

Outra medida simples é verificar se há frestas em portas e janelas. Segundo Mehl, pequenas melhorias na vedação desses pontos ajudam a reduzir a perda de calor, mantendo a temperatura do ambiente por mais tempo e diminuindo a necessidade de manter os equipamentos ligados.

Como economizar energia durante o inverno

Além da escolha do equipamento, alguns hábitos do dia a dia também podem fazer diferença na conta de luz. A Copel orienta que os consumidores evitem banhos longos, utilizem aquecedores apenas pelo tempo necessário e não mantenham vários aparelhos de alta potência ligados simultaneamente.

Outra recomendação é usar os aquecedores com segurança, mantendo-os afastados de cortinas, toalhas, roupas e outros materiais inflamáveis. Também vale desligar o equipamento assim que o ambiente atingir uma temperatura confortável, evitando consumo desnecessário.

“No inverno, o aumento do consumo é natural, mas isso não precisa virar susto na fatura. Com pequenas mudanças de hábito, é possível manter o conforto com segurança e sem desperdício”, conclui Palharim.