Driblando a crise

Frango do Paraná dribla guerra e Ormuz com novas rotas e produtos de maior valor

Novas rotas de comércio marítimo e investimento em produtos de maior valor agregado estão entre as estratégias para manter aquecidas as exportações de proteínas paranaenses. (Foto: Ari Dias / AEN)

O fechamento do Estreito de Ormuz e o aumento dos custos de seguro e combustível criaram um novo obstáculo para quem exporta proteínas produzidas no Paraná. Mas, em vez de frear os embarques, o setor está mudando a estratégia para manter a mercadoria circulando.

Uma das empresas que acompanha de perto esse movimento é a Unifrango, sediada em Apucarana, no Norte do Paraná. A companhia mantém embarques mensais de proteínas animais para mais de 100 países e adotou rotas alternativas depois do fechamento do estreito, importante passagem para o comércio internacional.

A estratégia inclui novos portos para chegar ao Oriente Médio. Para atender Iraque e Kuwait, por exemplo, a empresa passou a utilizar Aqaba, na Jordânia. Para os Emirados Árabes, a alternativa encontrada foi Fujairah.

A mudança de rota é apenas uma parte da estratégia. O aumento do risco provocado pela guerra também encareceu seguros e combustíveis, pressionando toda a cadeia de transporte. Além disso, a crise provocou escassez de contêineres vazios em determinados mercados.

Empresas que construíram relacionamentos antes da crise também estão levando vantagem nisso. Contratos de longo prazo com grandes armadores internacionais garante atendimento preferencial quando há falta de containers. Já quem realiza operações no mercado spot (contratação avulsa), enfrenta maior dificuldade para encontrar espaços em containers.

“Não conseguimos passar ilesos pela guerra, que afeta custos e volume, mas nosso diferencial reside na força do nosso volume e na parceria de longo prazo que mantemos com os maiores armadores do mundo”, explica Juliana Cappellazzo, gerente de Logística Internacional da Unifrango.

Mais valor no produto para enfrentar um cenário mais caro

A logística, porém, não é a única frente de reação. Muitas empresas também vêm apostando em outra estratégia: vender produtos que tenham maior valor agregado, em vez de depender apenas da exportação de proteína in natura.

No mercado brasileiro, a Unifrango vem ampliando a oferta de alimentos processados e industrializados, como empanados de aves e peixes, cortes suínos e produtos congelados individualmente pelo sistema IQF (congelados peça a peça).

A estratégia ajuda a diversificar os negócios em um momento de incerteza no comércio exterior. Em 2025, o departamento comercial da empresa vendeu mais de 30 mil toneladas de produtos no mercado interno.

Mesmo com a diversificação, o frango in natura continua sendo o principal produto. A empresa destaca que a proteína segue entre as opções mais acessíveis para o consumidor brasileiro.

Guerra x expansão

A estratégia de diversificação tem dado certo para muitas empresas de proteínas. A Unifrango, por exemplo, cresceu 20% no faturamento em 2024 e 5% em 2025, e projeta repetir pelo menos os 5% de crescimento neste ano. “A estimativa inicial era de um incremento de 10% nas intermediações este ano, porém, diante das incertezas nos mercados externo e interno, a expectativa é repetir, no mínimo, o crescimento do ano passado”, diz Hugo Bongiorno, diretor-presidente da Unifrango.

E mesmo diante das incertezas, há investimento em andamento. A companhia está ampliando em 20% o Centro de Distribuição de Apucarana, em uma obra de mais de R$ 20 milhões em recursos próprios. A área passará de 19,5 mil para 22 mil metros quadrados, enquanto a capacidade de armazenamento subirá de 20 mil para 24 mil posições-palete.

O espaço recebe produtos congelados, resfriados e secos e funciona como uma peça importante da estrutura logística da empresa.

A participação em feiras nacionais e internacionais também é um dos passos adotados por diversas empresas para aumentar as possibilidades de negócios e acompanhar as mudanças no consumo. Feiras internacionais, como Foodex Japan, SIAL Middle East, SIAL China e SIAL Paris, e eventos nacionais, como Super Rio Expofood e a APAS Show, precisam estar no radar de empresas de proteínas.

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