O município de Foz do Iguaçu, no oeste do Estado, não vai mais esperar os sintomas da influenza A (H1N1), a gripe suína, ficarem mais graves para ministrar o antiviral Tamiflu aos pacientes.

Comprovações da secretaria municipal da saúde mostram que, desde que o município adotou a mudança, a evolução dos casos para quadros mais graves diminuiu.

Protocolo do Ministério da Saúde orienta que o remédio seja prescrito apenas em casos em que haja complicação do quadro clínico, sob a alegação de que o medicamento pode causar resistência.

De acordo com o secretário de Saúde de Foz, Luís Fernando Zarpelon, a resistência só vai acontecer caso o Tamiflu seja mal utilizado, o que não aconteceria com o acompanhamento médico.

O protocolo também já foi quebrado na cidade gaúcha de Passo Fundo, onde já houve sete mortes confirmadas por gripe suína. Infectologistas dos hospitais municipais apresentaram notas técnicas indicando que os sete pacientes que morreram em decorrência de complicações não receberam o Tamiflu ou começaram a usar o medicamento após as primeiras 48 horas do início dos sintomas.

A eficácia máxima do remédio ocorre se for tomado nas primeiras 48 horas do aparecimento dos sintomas. Para Zarpelon, no entanto, os sintomas só começam a complicar a partir do terceiro ou quarto dia do aparecimento da nova gripe. “Nenhuma política pode interferir na autonomia médica de prescrever remédio”, defende o secretário.

Além desta decisão, outras medidas também foram adotadas por Foz. Desde ontem, as gestantes com sintomas de gripe estão sendo atendidas em uma unidade específica no Hospital Municipal da cidade.

No local, dos 28 leitos de enfermaria, 20 estão ocupados por pacientes da H1N1, além de dez leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O governo estadual enviou oito kits com monitor e respirador. E, a partir de segunda-feira, ônibus vão circular em bairros e na fronteira, para atendimento.

Londrina e Curitiba

Em Londrina, o Hospital Universitário (HU) anunciou ontem a suspensão de cirurgias eletivas que não são consideradas de emergência para liberar leitos para novos internamentos, principalmente para pacientes suspeitos de estarem com o H1N1.

Já na capital paranaense, os 13 shoppings se reuniram para definir um posicionamento para combater a doença. Ações de higienização em banheiros, corrimões e elevadores serão intensificadas, além do comprometimento em ampliar a ventilação.

“Hoje também houve reunião com os responsáveis pelos cinemas para que haja higienização de poltronas e de óculos 3D”, exemplificou o presidente do Sindicato dos Lojistas de Shopping Centers, Érico Morbis.

A Prefeitura de Curitiba alerta que, se deixar de comparecer a eventos em locais fechados é apenas recomendado à população, o mesmo é uma necessidade para quem está com algum sintoma de doença respiratória.

A pessoa que estiver com febre acompanhada de tosse ou dor de garganta também precisa se afastar do trabalho ou de qualquer atividade habitual. A automedicação é contra-indicada.

A abertura do Restaurante Universitário (RU) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na segunda-feira pode não acontecer. Ontem, os funcionários do RU chegaram a anunciar que o local ficaria fechado até o dia 10, contrariando determinação da administração da instituição.

Segundo os funcionários, além de ter frequência de 800 a mil estudantes por dia, o RU não tem ventilação adequada e três funcionários já foram afastados com suspeita da nova gripe.

“Conversamos e meu entendimento é que os funcionários devem comparecer ao trabalho na semana que vem”, acredita o vice-diretor da UFPR, Rogério Mulinari, que conversou com os servidores.

Os 60 mil professores da rede pública terão a partir de segunda-feira reforço no treinamento das medidas para a prevenção da gripe A nas salas de aula. A primeira etapa será realizada em Curitiba.

DER divulga orientações

As orientações para prevenção do contágio pelo vírus da gripe A, estão sendo reforçadas nos terminais rodoviários e nos ônibus das mais de 700 linhas de transporte intermunicipal no Estado por meio da distribuição de folhetos com informações básicas aos passageiros.

Os primeiros 10 mil exemplares foram entregues aos usuários das linhas operadas nas proximidades das fronteiras e a nova remessa de 30 mil será distribuída em todos os terminais rodoviários paranaenses.

O principal alerta para quem apresente os sintomas da nova gripe é de adiamento da viagem. “Até três horas antes do horário da viagem, a passagem pode ser trocada ou cancelada. Aos passageiros que estejam com fortes suspeitas ou confirmação da contaminação pelo vírus da gripe A, a recomendação é para que façam uso desse direito e realizem a viagem quando estiverem fora de perigo, para que a doença não seja disseminada”, destacou o secretário estadual dos Transportes, Rogério Tizzot.