Tornar a Filosofia disciplina obrigatória no currículo do Ensino Médio é um dos assuntos que vêm sendo discutidos desde ontem durante o Encontro Estadual de Professores de Filosofia do Ensino Médio, em Curitiba. No Paraná, a disciplina é ministrada em 17% das escolas públicas do Estado – ou seja, em cerca de cinqüenta dos 291 estabelecimentos. Somando as escolas particulares, o índice sobe para 25%.

“A Filosofia é muito importante: coloca a dimensão política no currículo, desenvolve o raciocínio e a inteligência”, defende a professora Valéria Arias, da Coordenação de Filosofia da Secretaria Estadual da Educação (Seed). “É um saber radical, pioneiro, que tenta abarcar uma totalidade e pensar a realidade, o mundo, a escola, a própria vida pessoal.”

De acordo com Valéria, a obrigatoriedade da disciplina na grade curricular já esteve na iminência de ser aprovada, durante o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, mas foi vetada pelo próprio presidente. “Politicamente, a Filosofia tem implicações, porque faz a pessoa se questionar. No governo Lerner, por exemplo, tornar a disciplina obrigatória era impensável”, declara. Segundo ela, há dois projetos tramitando no Congresso Nacional, pedindo a revisão do artigo 36 da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e tornando a Filosofia e a Sociologia disciplinas obrigatórias.

No Paraná, enquanto a lei não é aprovada, está em discussão na Secretaria da Educação e Conselho Estadual de Educação proposta que sugere a ampliação e legitimação da Filosofia dentro do item “partes diversificadas” – disciplinas que ocupam 25% da grade curricular. “Só no Paraná, há mais de 4 mil disciplinas definidas como partes diversificadas. Isso é um absurdo”, critica.

Amanhã, os professores farão um ato público no prédio de administração da Universidade Federal do Paraná, no Centro Politécnico, em defesa da Filosofia. A manifestação começa às 10h.