Sete meses em Londrina, quatro em Apucarana e três em Curitiba e Maringá. Esse é o tempo de espera para os trabalhadores poderem dar entrada no pedido de aposentadoria em algumas cidades paranaenses (veja o quadro, à baixo). Apesar de o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) informar que o tempo médio para os brasileiros receberem o benefício é hoje de 32 dias, as filas virtuais – criadas com o sistema de agendamento pela internet ou pelo telefone – mostram que a espera para conseguir a aposentadoria supera em muito o prazo máximo de 45 dias previsto em lei.

Desde o ano passado, o governo federal acabou com as filas nos postos de atendimento do INSS com o agendamento eletrônico. Por telefone ou pela internet, os segurados agendam a data e hora que vão dar entrada no pedido do benefício. O sistema acabou com as filas, que geralmente começavam de madrugada, mas não com a espera. O beneficiário passa a receber a aposentadoria cerca de 15 dias depois do pedido. Isto é, quem conseguia ser atendido nas antigas filas saía dos postos de atendimento com o problema resolvido. Hoje é preciso esperar no mínimo três meses nas grandes cidades.

No Paraná, a pior situação está em Londrina. Segundo levantamento feito por O Estado no sistema eletrônico de agendamento, os beneficiários têm que esperar no mínimo até 18 de janeiro do ano que vem para pedir a aposentadoria. Em Curitiba, a situação é um pouco melhor. Já é possível agendar o pedido para outubro. A não ser que o beneficiário marque em um posto de São José dos Pinhais ou Campo Largo – ambos na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) -, que ainda têm vagas para a segunda quinzena de agosto. Nas outras cidades da RMC também é preciso esperar até outubro.

Se o benefício não for pago em 45 dias a partir do pedido, o INSS precisa pagar de uma vez só, no depósito do primeiro benefício, os atrasados com juros e correção monetária. É o que está acontecendo em muitas cidades do Paraná, segundo a superintendência do INSS no Estado, já que a data de início do recebimento do benefício deve ser o dia que o trabalhador faz o agendamento eletrônico. Enquanto isso, o trabalhador não pode deixar as suas funções.

Aposentados

O vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Paulo José Zanetti, defende o agendamento eletrônico por causa do fim das filas nos postos de atendimento e argumenta que a única solução para o problema é aumentar o número de servidores. ?Claro que há prejuízo financeiro, porque se a pessoa ficasse na fila conseguia o benefício no dia. Mas agora o pagamento é retroativo?, afirmou. Zanetti lembrou que o governo federal ampliou o horário de atendimento dos postos até as 18h, mas ?os funcionários que faziam análise dos processos agora têm que fazer atendimento também?, o que aumenta a demora.