Oxidação corrói trilhos em trecho
que corta Curitiba.

Trechos da linha férrea que corta Curitiba apresentam sinais de total estado de abandono. Ao longo do caminho dos trens, é comum observar trilhos enferrujados e dormentes quebrados ou apodrecidos. Em alguns locais, o mato cresce livremente ao lado dos trilhos.

O chefe do escritório regional da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), Paulo Sidney Carreiro Ferres, diz que, à medida que as linhas vão sendo utilizadas e dependendo do volume de tráfego, os trilhos e dormentes vão apresentando um desgaste natural. “Em média, um dormente tratado dura 20 anos”, explica. “Já um dormente sem tratamento, feito de madeira boa, dura sete anos.”

Caso seja de madeira de qualidade inferior, como o eucalipto, a durabilidade é muito reduzida. “Já a durabilidade dos trilhos depende da origem: os vindos da Polônia, por exemplo, são mais moles e se desgastam mais rapidamente”, conta.

Falta de manutenção

Segundo Paulo, o problema é que a manutenção e o trabalho de conservação das linhas não acontece no mesmo ritmo em que os trilhos e dormentes se desgastam. “O número de dormentes e trilhos em péssimo estado de conservação, não só ao longo da linha férrea que corta Curitiba, mas em todo Paraná, é imenso”, denuncia. “Na minha opinião, investe-se muito pouco em conservação.”

Se a manutenção ou substituição do material desgastado não é realizada, cabe ao maquinista optar em reduzir a velocidade do trem, diminuindo a eficiência do transporte ferroviário, ou manter a mesma velocidade aumentando os riscos de acidentes. A informação é do presidente do Sindicato dos Maquinistas Ferroviários do Paraná e Santa Catarina (atualmente impugnado em Brasília, mas que continua defendendo os direitos dos maquinistas), José Carlos Rodrigues. “A falta de conservação põe em risco a vida dos maquinistas, dos passageiros e mesmo das pessoas que moram perto dos trilhos”, adverte. “Os dormentes apodrecidos, a pregação deficiente e os trilhos tortos e enferrujados fazem com que os riscos de acidentes sejam bem maiores.”

ALL

A América Latina Logística (ALL), concessionária das ferrovias da Malha Sul da RFFSA, alega que a aparência dos trilhos e dormentes não compromete a segurança dos trens. Segundo o departamento de marketing da ALL, é feita manutenção constante na linha, com trabalhos de prevenção de acidentes.

A concessionária informa que uma empresa especializada em inspeção de trilhos verifica, com auxilio de sofisticado equipamento de ultras som, as condições dos trilhos assentados na via, detectando defeitos internos e superficiais que muitas vezes passariam despercebidos a olho nu. Este procedimento orienta os trabalhos de substituição. De acordo com a ALL, havendo risco de acidente, os trilhos são imediatamente substituídos.

A concessionária, que assumiu a Malha Sul em 1997, afirma ter gasto R$ 440 milhões em vias permanentes, recuperação e aquisição de material rodante, informatização, tecnologia, entre outros itens. De 1997 a 2002, a empresa diz ter reduzido em mais de 65% o número de acidentes.

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