Apenas 10% dos agentes da Polícia Federal ainda não aderiram à greve iniciada terça-feira, segundo avaliação da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef). Hoje, pelo menos 30% do pessoal administrativo deve parar e delegados farão os plantões nas delegacias e superintendências. Ontem, a direção da Fenapef tentava impedir que policiais lotados em aeroportos e áreas de fronteira deixassem seus postos. Os números do governo indicam que 80% estão parados em todo o País. “Nossa intenção é parar tudo. Esperamos a adesão de todos os funcionários administrativos, mas não pretendemos, pelo menos por enquanto, fechar aeroportos”, afirmou o presidente da Fenapef, Francisco Carlos Garisto. “Mas se o governo radicalizar, vamos fazer o mesmo.”

Os policiais, peritos e papiloscopistas (especialistas em análises de impressões digitais) querem equiparação às categorias de nível superior, elevando os salários de R$ 4,1 mil para R$ 7,7 mil, reajuste em torno de 85,4%, segundo cálculos do governo. Ontem, mais uma vez o Ministério da Justiça indicou que está disposto a abrir negociações, mas só depois de a greve acabar.

No governo, a avaliação é que a greve está alcançando proporção inesperada e pode ganhar apoio da população. Além disso, o governo teme a interrupção de operações importantes.

Controle

Em Curitiba, a determinação do diretor da PF, Paulo Lacerda, era que as superintendências regionais garantissem o acesso ao local de trabalho dos servidores que não aderissem ao movimento, além de quem procurasse os serviços da polícia. E determinou o controle rigoroso da assinatura do livro ponto, para que os dias parados sejam descontados. A portaria também determinava o recolhimento dos coletes usados nas operações.

Segundo o presidente do sindicato da PF no Paraná, Naziazeno Santos Júnior, os policiais irão manter o movimento. Ontem pela manhã, a maioria dos grevistas se concentrava em frente à sede do sindicato. Eles trocaram os coletes pretos da PF por amarelos, da greve, mas dizem que isso não tem nada a ver com a portaria. “Ele não vai nos intimar”, disse.

Negociações

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou ontem que está aberto o canal de negociações com a Polícia Federal. O ministro afirmou que os dois lados terão que ceder para um consenso, mas não quis arriscar uma data para o fim da greve. “Não tenho idéia, nem bola de cristal, mas do nosso ponto de vista acaba o mais rápido possível.”