Uma desocupação de casas populares inacabadas em Sarandi, noroeste do Estado, foi realizada ontem, de forma pacífica. Vinte e uma famílias ocupavam o espaço, localizado no bairro Jardim Universal, desde março.

As 56 moradias do conjunto habitacional deveriam ter sido entregues no final do ano passado, mas as obras não foram concluídas a tempo, o que acabou dando margem à ocupação. A Polícia Militar esteve presente na retirada das famílias e dos pertences.

O secretário de Comunicação de Sarandi, Geraldo Irineu da Silva, explica que foi sugestão do Ministério Público do Estado (MPE) entrar com o pedido de reintegração de posse, pois, segundo ele, a cidade estaria sendo prejudicada com o impasse.

“Como a obra ainda está inacabada, Sarandi fica impedida de participar de outros programas do governo. O MPE conseguiu a ordem da reintegração de posse, que só não foi cumprida antes porque estávamos tentando chegar a um acordo com os ocupantes. Entretanto, eles não aceitaram as propostas apresentadas”, explica.

O secretário informa que o município conta com uma lista de espera de três mil pessoas e que as obras nessas residências seriam retomadas. “A lista é longa e, infelizmente, não temos como atender a todos de imediato. Essas 56 casas serão entregues novamente para a construtora para a conclusão dos trabalhos. Somente após resolvido os trâmites burocráticos entre a Caixa Econômica Federal (CEF), que financia a obra, e a prefeitura, é que as casas serão entregues”, adianta. Silva não sabe dizer, porém, quando isso deve acontecer.

Abrigo

Após a saída das residências houve um problema para definir onde as famílias seriam abrigadas. O advogado dos moradores, Claudinei Codonho, afirma que muitos deles não têm para onde ir. Somente depois de uma reunião no final da tarde de ontem é que foi decidido para onde todos seriam transferidos.

“Fizeram a retirada de seus pertences, mas não pensaram onde abrigá-los de imediato. Houve uma conversa que seriam colocados no ginásio de esportes do município, todavia, não foi adiante. Somente depois de muita conversa é que ficou decidido que, pelo menos a noite de hoje (ontem), eles passarão no salão de uma igreja e que serão cadastrados novamente no programa de habitação popular”, revela.