O tratamento oferecido aos pacientes pelo Hospital do Carmo, em Curitiba, vem gerando revolta das pessoas que precisam do atendimento do hospital pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A vendedora Luciana Boava da Silva está com seu pai, Dorival Antônio da Silva, 56 anos, na enfermaria do Carmo desde domingo. Ela contou que o local é repleto de sujeira. “A comida é horrível. A campainha para o paciente chamar um enfermeiro não funciona. Ontem um dos pacientes defecou e urinou na cama. Ficou o dia todo antes de ser limpo. Aquele cheiro se espalhou por toda enfermaria”, reclamou.
Luciana também diz que o atendimento dos funcionários é muito ruim. Disse que nem sacos para recolher o lixo existe no hospital. “Eles jogam direto no cesto”, destacou.
A insatisfação de Luciana é compartilhada por Teresa Franco Krieger. Ela contou que seu pai está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Carmo. “A alimentação e a falta de higiene são os principais pontos”, disse. Teresa contou que tentou a transferência de seu pai, mas não foi possível. “Os funcionários dizem que não prestam o atendimento correto por estarem com os salários atrasados. Mas isso não é justificativa para deixar alguém morrer”, reclamou.
Crise
Um dos chefes da enfermagem do Hospital do Carmo, Inácio Andrade, justificou a situação com a crise que se instalou na maioria dos hospitais brasileiros. Ele disse que a limpeza no paciente não foi feita rapidamente devido ao pequeno número de funcionários para atender sessenta pessoas. Quando perguntado sobre a falha da campainha para chamar os enfermeiros ele se contradisse. “Não tem problema pois dois funcionários ficam verificando a situação dos pacientes”, justificou. Andrade disse que a reclamação de Luciana surgiu quando ela foi proibida de entrar com alimentos na enfermaria. “Ela estava com frituras, que são proibidas”, disse, comentando que o hospital faz o que é possível pelos pacientes.


