Uma situação curiosa vem sendo registrada por diversas prefeituras do Paraná. Abrem-se vagas em concursos para o cargo de médico, mas poucos ou nenhum candidato se inscreve. O registro já foi feito por municípios como Maringá e Pato Branco. Essa situação, avalia o Conselho Regional de Medicina (CRM), não é uma exclusividade da medicina.

“O médico é um profissional como qualquer outro e dessa forma analisa todas as possibilidades para aceitar ou não uma proposta de trabalho”, afirmou o presidente do CRM, Donizete Giamberardino Filho. Entre essas possibilidades estariam não só a remuneração – que em alguns concursos chega a R$ 1,6 mil -, mas o acesso e a segurança, entre outros. “Tem que ver se a oferta de trabalho é compatível com as expectativas desse profissional”, ponderou.

Atualmente, o piso salarial da categoria é de três salários mínimos (R$ 780) para 20 horas semanais, mas a classe vem lutando para ampliar esse valor para dez salários (R$ 2.600). Além dessa bandeira, as entidades que representam a classe médica estão lutando para rever os valores pagos pelas administradoras de planos de saúde. A Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, diz Giamberardino, foi criada para corrigir os honorários, que estão defasados há oito anos. Por esse ajuste, a classe teria uma recuperação de 30% nos valores pagos pelos procedimentos.