Um dos sócios da empresa Batista & De Paula Ltda, mais conhecida como Eude Taxímetro, Eude Alves Batista, afirma que tem sido ameaçado de morte após o início das investigações a respeito de fraudes em taxímetros utilizados em Curitiba. O estabelecimento é o único fabricante do equipamento P&B, modelo TKS 56, pois o aparelho era uma criação do próprio Batista, que é engenheiro eletrônico. Até o momento, os quatro taxímetros apreendidos pela polícia por terem apresentado indícios de fraude são desta marca e modelo.
De acordo com o engenheiro, somente esta semana foram três ameaças de morte. “Três pessoas diferentes me ligaram dizendo que me matariam se perdessem as licenças para atuar como taxistas ou fazendo ameaças parecidas. Perguntei os nomes deles, mas é claro que não quiseram me dizer, falaram apenas que eu saberia quem são quando as licenças fossem cassadas”, conta ele. No entanto, ele afirma que não tem qualquer participação nas fraudes dos taxímetros e, portanto, não haveria motivos para ser ameaçado. “Meu taxímetro foi homologado pelo Inmetro”, justifica.
Além das ameaças que vêm sofrendo, Batista afirma que está tendo prejuízos na empresa devido às denúncias. “Todos os 195 taxímetros da nossa marca foram confiscados para análise. Então, os taxistas estão vindo aqui para pegar outros aparelhos para continuarem trabalhando. Então, estou tendo que comprar equipamentos em São Paulo para fazer essa substituição enquanto fazem análise nos meus. Ainda acho que pelo menos 20 motoristas devem ter comprado direto de outros fornecedores”, comenta. A análise dos equipamentos está sendo feita pela Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem-PR).
Assim como os taxistas dos veículos cujos taxímetros foram apreendidos, Batista também é investigado pela Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon) como suposto responsável pelas fraudes nos equipamentos. “O taxímetro de Batista era vendido junto com um GPS, instalado embaixo do painel para acrescentar 30% quando o veículo saísse do município. Só que o GPS estava sendo substituído por uma ‘chaveta’, que, sempre que acionava, aumentava o valor em 30%. Ele alega que os taxistas faziam essa alteração depois, mas os motoristas alegam que já pegaram os aparelhos assim. Então, indiciamos todo mundo”, explica o delegado Jairo Estorilio, responsável pelo caso.