Depois de perder espaço na produção nacional de perus nos últimos anos, o Paraná voltou a acelerar as exportações da proteína. Em meio à retomada da produção e ao aumento da demanda internacional, o Estado consolidou sua posição entre os principais exportadores de carne de peru do país. No primeiro quadrimestre de 2026, o Paraná embarcou 4.739 toneladas da proteína e alcançou receita de US$ 22,6 milhões, garantindo a terceira colocação no ranking nacional do segmento, atrás apenas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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Entre janeiro e abril, o Brasil exportou 22,3 mil toneladas de carne de peru, com receita cambial de US$ 90,8 milhões. Desse total, Santa Catarina respondeu por 8.806 toneladas exportadas, o Rio Grande do Sul por 8.746 toneladas e o Paraná por 4.739 toneladas, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

O médico-veterinário da Seab, Roberto Carlos de Andrade e Silva, explica o principal fator por trás do avanço das exportações de peru. “Basicamente, é o desejo comprador de alguns países, tradicionais consumidores de produtos dessa ave”, afirma.

Os números mostram que a recuperação não começou agora. Em 2025, o Paraná exportou 14.875 toneladas de carne de peru, com faturamento de US$ 49,8 milhões. Na comparação com o ano anterior, houve crescimento de 9% no volume exportado e de 61,7% na receita cambial.

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Segundo Paulo Cândido, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), a recuperação do setor está relacionada a uma combinação de fatores produtivos e mercadológicos. “O crescimento expressivo da exportação de carne de peru deriva basicamente da reestruturação produtiva da BRF [que une a Perdigão e a Sadia], com a retomada do abate em Francisco Beltrão, do crescimento da demanda em importantes mercados consumidores e também da valorização do preço da carne de peru no mercado global”, diz.

Além do aumento da demanda, a valorização da proteína também ajudou a impulsionar os resultados. Segundo o Deral, o preço médio da carne de peru in natura exportada pelo Brasil atingiu US$ 4.059 por tonelada no primeiro quadrimestre de 2026, valor 77,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Exportações de peru têm no México seu principal destino

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O México lidera as compras da proteína brasileira. Em 2025, o país importou mais de 16 mil toneladas de carne de peru, movimentando cerca de US$ 77,5 milhões. Chile, África do Sul, Países Baixos, Peru, Guiné Equatorial, Gana, Benin, Gabão e Bahamas também aparecem entre os principais compradores da proteína brasileira.

De acordo com o especialista da Seab, a retomada da produção no Paraná está diretamente ligada ao fortalecimento desse mercado externo. “O desempenho superior do Paraná ocorreu pelo desejo de produção e fomento da MBRF, visando atender a demanda internacional”, explica.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ampliaram as exportações da proteína. O crescimento foi de 6,9% no Paraná, 38,4% em Santa Catarina e 21,2% no Rio Grande do Sul.

Apesar da recuperação recente, o Paraná ainda está atrás dos dois vizinhos do Sul em volume exportado. Segundo o técnico da Seab, essa diferença está relacionada principalmente às estratégias adotadas pelas empresas que atuam no segmento. O técnico explica que a produção nacional de perus é concentrada em poucos grupos empresariais e que, historicamente, Santa Catarina e Rio Grande do Sul mantiveram uma estrutura mais robusta para a criação da ave.

No Paraná, a atividade perdeu força após a desativação de operações ligadas à antiga Perdigão e à BRF, sendo retomada apenas em 2021 na região Sudoeste. “Creio que esteja ligado à opção das empresas. Santa Catarina e Rio Grande do Sul tiveram maior ênfase na criação da ave, enquanto o Paraná passou por um período de retração da atividade antes de retomar a produção voltada ao mercado externo”, afirma.

Roberto Carlos lembra que o Paraná já ocupou posição de destaque nacional na cadeia produtiva. Em 2018, o fechamento da planta de abate de perus da BRF em Francisco Beltrão provocou uma retração significativa da atividade. “O setor diminuiu a produção e diversos avicultores migraram para outras atividades, como a criação de frangos de corte”, relata.

A situação começou a mudar em 2021, quando a unidade voltou a operar após ser habilitada para exportar carne de peru ao México, principal parceiro comercial do Brasil nesse segmento. Hoje, a criação de perus está concentrada principalmente na região Sudoeste, por meio do sistema de integração entre indústria e produtores rurais, modelo semelhante ao adotado na cadeia do frango de corte.

O México é hoje o principal destino da carne de peru brasileira e ajuda a sustentar o avanço das exportações paranaenses. Foto: Henry Milleo/Arquivo Gazeta do Povo.

Retomada da produção fortalece economia regional

Além dos resultados nas exportações de peru, a retomada da atividade tem reflexos sobre a economia regional. Segundo Roberto Carlos, a cadeia produtiva movimenta os municípios onde está instalada. “A atividade da criação de perus, abate e produção de carnes impacta a região e seus municípios com a geração de empregos, renda e riqueza”, afirma.

A principal estrutura voltada à produção de perus no Paraná está concentrada em Francisco Beltrão e atende produtores de toda a região Sudoeste. O modelo de integração conecta a indústria aos criadores, que recebem suporte técnico e comercial para a produção.

O potencial de crescimento também vem sendo reforçado por novos investimentos. Conforme informações citadas pelo técnico da Seab, a Prefeitura de Francisco Beltrão divulgou neste ano que a produção de perus movimentou R$ 69,2 milhões na economia local em 2024. A expectativa é de expansão da atividade com os novos aportes anunciados para o Estado.

Para Paulo Cândido, a cadeia ainda está longe dos volumes registrados em seu auge. O recorde brasileiro de produção de carne de peru ocorreu em 2012, quando foram produzidas 540 mil toneladas. Em 2025, a produção nacional ficou em cerca de 127 mil toneladas. “Estamos em um momento de retomada da produção e exportação, o que consequentemente produzirá efeitos em empregos, investimentos e movimentação econômica”, afirma.

Apesar das perspectivas positivas, o setor acompanha com atenção fatores como custos de produção, infraestrutura logística e instabilidades geopolíticas que podem afetar o comércio internacional. A aposta do setor é que a combinação entre demanda internacional, retomada da produção e novos investimentos fortaleça ainda mais a participação paranaense no mercado global.