Foto: Arquivo

Retirada da proa do Vicuña, que explodiu em 2004.

A Cattalini Terminais Marítimos informou ontem, em Paranaguá, que teve acesso, na última semana, ao laudo técnico-ambiental relativo ao acidente com o navio chileno Vicuña, ocorrido em seu terminal, no Porto de Paranaguá, em 15 de novembro de 2004. Quatro pessoas morreram na tragédia. Segundo o diretor-superintendente da Cattalini, Claudio Fernando Daudt, o documento demonstra que a explosão ocorreu dentro do navio.

?Fomos informados por nossos advogados, no Rio de Janeiro, que os laudos periciais da explosão já foram homologados junto ao tribunal marítimo, devendo agora partir para julgamento?, revela. O diretor-superintendente explica que, com o laudo técnico-ambiental em mãos, a empresa deve ingressar na Justiça contra a companhia chilena Sociedad Naviera Ultragás Ltda., dona da embarcação, solicitando ressarcimentos materiais relativos a questões de imagem da empresa e danos morais. ?A imagem da Cattalini foi bastante prejudicada pelo acidente. Além disso, nos últimos três anos, a empresa já gastou cerca de US$ 10 milhões com defesa, indenizações e outros prejuízos provenientes da explosão?.

O acidente com o Vicuña aconteceu durante a tradicional comemoração da festa da padroeira da cidade, Nossa Senhora do Rocio. Como acontece anualmente, a praça em frente à Catedral Diocesana estava repleta de romeiros, que ficaram em pânico no momento da explosão. O navio estava atracado no píer da Cattalini e descarregava 11 mil litros de metanol.

A explosão fez com que a embarcação se partisse e uma grande quantidade de óleos diesel e bunker fosse derramada na Baía de Paranaguá.

Multas

Após o acidente, muitas penalidades foram imputadas às partes. A Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), baseados em um relatório de quase mil páginas redigido por seus técnicos, multou as empresas envolvidas no acidente. A Sociedad Naviera Ultragás Ltda. e a Catallini chegaram a receber a multa máxima prevista na legislação ambiental: R$ 50 milhões cada uma. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) foi autuada em R$ 1 milhão. A Methanex Chile Limited, que fabricou o metanol, e as empresas Borden Química Indústria e Comércio Ltda., Synteco Produtos Químicos S/A e a Dynea Brasil S/A, donas do produto, também foram autuadas. Todas apresentaram defesa administrativa nos órgãos ambientais, e aguardam o trâmite dos processos.

Retirada do navio

A retirada dos restos do Vicuña do píer da Catallini necessitou de 134 dias de trabalho. Foram necessárias várias tentativas, algumas frustradas, para içar as três partes em que o navio foi cortado. Vazamentos de óleo e multas também marcaram a operação, que só foi concluída em março de 2005. Desde julho, o píer da Catallini já opera e recebe cerca de 15 navios por mês.

O advogado da empresa chilena, Luiz Roberto Leven Siano, não foi encontrado para comentar o assunto.