Com ou sem prescrição médica, praticar atividade física regularmente é um dos pilares da boa saúde em qualquer idade. Só que essa iniciativa não pode ser realizada sem qualquer orientação, já que o corpo todo, incluindo a coluna vertebral, pode ficar refém dos males gerados pela prática de exercícios errados ou a falta de trabalho de fortalecimento muscular adequado.

O diretor regional da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABRColuna) e do ITC Vertebral Curitiba, o fisioterapeuta Guido Gomes Martins, revela que, atualmente, enquanto metade dos seus pacientes é de pessoas com problemas de coluna devido ao sedentarismo, a outra parte já é de quem começou atividade física sem a devida orientação. “Muitos ficam frustrados porque devido à falta de informação escolhem, por vezes, exercício de alto impacto como corrida ou treino de MMA (Artes Marciais Misturadas) e desenvolvem lesão que dependendo da gravidade levará vários meses para ser tratada”, explica. A hérnia de disco é um dos problemas mais graves que podem ser desenvolvidos a partir da execução errada e sistemática de exercícios físicos. “Uma pessoa que ficou cinco anos parada e apresenta sobrepeso, sem trabalho prévio de fortalecimento muscular, fatalmente vai submeter a coluna ao desgaste que poderá causar lesões” exemplifica.

Avaliação

Se o objetivo é não correr esse tipo de risco, dois profissionais devem ser procurados antes do início da atividade esportiva: o fisioterapeuta e o educador físico. O fisioterapeuta deve avaliar com teste neurológico (reflexos), ortopédico e físico. O preço médio dessa avaliação é de R$ 150. O professor de educação física, por sua vez, deverá montar treino adequado às condições físicas de cada pessoa.

Dor é sinal de problema

Para quem já sente algum tipo de dor, Guido Gomes Martins enfatiza a importância de procurar um especialista rapidamente. “Uma dor nas costas ignorada ou mascarada por automedicação pode evoluir para algo mais grave já que o desgaste continuará. Vários casos de hérnia de disco são frutos dessa desatenção com a dor que serve para sinalizar algum problema”. “As pessoas deveriam estabelecer a rotina de visitas de seis em seis meses ao fisioterapeuta, assim como fazem com o dentista”, diz Martins, lembrando que “demorou, mas as pessoas já agem preventivamente com os dentes”. Segundo o fisioterapeuta, é preciso cuidar do corpo já que o encurtamento muscular ou desvio de postura surgem sem avisar e, quanto antes tratados, menores serão os problemas”.