O ex-superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, negou ontem as acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) de Guarapuava, de que funcionários e ex-funcionários do órgão estariam envolvidos em desvio de recursos destinados ao Projeto de Assentamento ?Ireno Alves dos Santos?, em Rio Bonito do Iguaçu. O MPF acusa esses servidores e o presidente da Cooperativa Mista de Produção e Trabalho da Reforma Agrária (Cooproterra), Francisco Altair Fernandes, de peculato-desvio.

Segundo a denúncia, a Cooproterra recebeu, entre fevereiro de 1999 e janeiro de 2000, R$ 1.292.500,00 do Crédito Habitação para a construção de casas populares no assentamento, determinado pelo superintendente regional do Incra na época, Petrus Abib. Uma sindicância do próprio órgão concluiu que houve prejuízo de R$ 139.550,00 à União, já que 87 casas ficaram inacabadas e 23 não foram construídas e indicou que fosse criada uma comissão disciplinar.

Para Vieira, o que ocorreu foi má administração dos recursos pela Cooproterra. ?Não houve desvio algum?, garante. Ele explica que quem escolheu a cooperativa para receber os recursos e construir as casas foram os próprios assentados, por pressão do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). ?Não é comum destinar esses recursos para uma cooperativa, mas os valores seriam repassados para os assentados.?

O atual superintendente do órgão, Celso Lisboa de Lacerda, disse desconhecer detalhes do caso, mas que apesar de estranho, o repasse da verba estava dentro da lei. Lacerda e Vieira ressaltaram que os funcionários denunciados pelo MPF têm fichas de serviço exemplares.