Ex-secretário denuncia crime ambiental no Iraí

Um canal extravasor artificial, aberto na margem direita de quem sobe o Rio Iraí, ao lado da Avenida João Leopoldo Jacomel, em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, vem preocupando ambientalistas e integrantes de organizações não governamentais que lidam com questões ligadas à proteção do ambiente.

A obra, que segundo a Sanepar é de responsabilidade da Superintendência de Recursos Hídricos do Estado (Suderhsa) e faz parte do programa de saneamento ambiental, o Prosan, estaria colocando em risco a vida do Rio Iraí.

O ambientalista Jorge Grando, ex-secretário do Meio Ambiente de Pinhais, desconfia que a água que está sendo desviada, que deveria ir para a Estação de Tratamento do Iraí, esteja indo para a Estação de Tratamento do Iguaçu. “O nível do rio já baixou e algumas algas estão começando a morrer”, conta.

Estudo ambiental

De acordo com ele, o canal foi aberto sem estudos que demonstrem os riscos ambientais. “A obra foi executada em área de mata ciliar, que promovia a purificação da água e acabou sendo devastada”, conta. “Ao lado do canal artificial, foi aberta uma rua. É um absurdo!” O secretário afirma que o canal, que passa dentro da área de ocupação irregular do Guarituba, vai acabar se tornando o Tietê da Grande Curitiba”.

Nos próximos dias, Jorge Grando pretende entrar com uma ação civil pública pedindo que os responsáveis pela abertura do canal sejam punidos. Ele diz que o Comitê das Bacias do Alto Iguaçu e Alto Ribeira, que foi instalado há cerca de seis meses e gerencia todas as ações sobre água, também não foi consultado sobre a obra. “Quem fez isso, está destruindo uma coisa que a natureza levou milhares de anos para fazer”, reclama. “O conserto, caso seja possível, será bastante difícil e demorado.”

Suderhsa

O Estado procurou o engenheiro da Suderhsa responsável pela obra do canal, mas ele havia viajado para o interior do Estado, em razão da morte de um funcionário da empresa na região de Arapongas.

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