Muita coisa mudou desde o fatídico 11 de setembro, quando o mundo assistiu, perplexo, ao atentado contra os EUA. De um dia para o outro, a superpotência mundial se viu vulnerável. O medo tomou conta da população, e um possível contra-ataque se tornou um pesadelo constante. Passado um ano do episódio histórico, o presidente da Sociedade Árabe-Brasileira, Moutih Ibrahim, membro fundador do Movimento Cívico Cultural Árabe do Paraná, faz uma avaliação sobre como está o mundo hoje e, numa crítica incisiva contra os EUA, deixa transparecer que a paz entre os povos ainda está bem longe de ser instalada.

“As coisas mudaram para pior desde 11 de setembro”, sentencia Ibrahim. Para ele, os EUA não tomaram o fato como uma lição de vida. “Parece que não aprenderam nada. Agora querem invadir o Iraque, tomar o petróleo”, lamenta, acrescentando que os EUA colheram o que plantaram. “Toda ação tem uma reação. Os americanos querem o poder, querem bagunçar a sociedade, dominar o povo”, aponta Ibrahim.

O neoliberalismo também é alvo de críticas de Moutih Ibrahim. “É um sistema satânico mundial de exploração do terceiro mundo”, define, acrescentando que uma das fortes influências é o sionismo ? corrente política judaica, criada em 1872 pelo inglês Teodoro Hirtzel ?, que, segundo Ibrahim, pretende tomar o mundo todo por meio da economia e da imprensa, escravizando cristãos e muçulmanos.

Ibrahim critica ainda a manipulação de outros povos sobre o Brasil. “Com o futebol, sexo, drogas e carnaval, o brasileiro não tem firmeza para mais nada. Fizeram uma lavagem cerebral, e o povo não tem culpa disso”, lamenta o presidente da Sociedade Árabe-Brasileira. Pare ele, se os problemas do Brasil não forem solucionados de forma pacífica, através da política e da educação, o País poderá enfrentar uma greve civil.

Com relação à possível contra-ataque ou mesmo uma guerra, Ibrahim acredita que não aconteça. “Os árabes são parecidos com os brasileiros, querem viver em paz”, afirma. “Se o Iraque é o maior produtor de petróleo do mundo, Deus foi generoso com eles.” Ele lembra que os EUA também têm petróleo suficiente para 300 anos, mas quer o dos outros para elevar o preço. “É apenas interesse econômico”, critica. Ibrahim tem 47 anos de idade, nasceu no interior da Síria, em Al Jwikat, e veio para o Brasil aos 14 anos.