Estudantes e professores contra reforma universitária

Manifestações contra a reforma universitária foram realizadas no decorrer do dia de ontem em diversas regiões do País. Em Curitiba, alunos de vários cursos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e integrantes da Associação dos Professores da UFPR (Apufpr) protestaram na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio central da instituição. Os manifestantes classificam de “capitalista” a reforma proposta pelo governo federal.

“Embora o governo queira fazer parecer que a reforma é de inclusão social, ela é baseada no capitalismo. Vai na contramão da história, prevendo a privatização da universidade pública e a perda da qualidade do ensino”, disse a presidente da Apufpr, Maria Suely Soares. Segundo os manifestantes, a reforma gera uma desatenção do Estado com o ensino público. A principal crítica diz respeito à medida provisória que garante a reserva de vagas a estudantes de escolas públicas em universidades particulares.

“As universidades particulares garantem as vagas dizendo que estão cumprindo seu papel social, mas na verdade estão fazendo isso em troca de isenção de impostos. A estimativa é que R$ 3,5 bilhões de verbas públicas sejam transferidas para instituições particulares. Com esse dinheiro, diversas vagas poderiam ser abertas nas próprias universidades públicas”, afirma o coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPR, Bernardo Pilotto.

Outro ponto da reforma que vem criando polêmica é o projeto de lei de inovação tecnológica, que prevê um relacionamento mais forte entre as universidades públicas e empresas privadas. Na opinião de Maria Suely, o projeto fere a autonomia das instituições públicas. “Ele permite que empresas privadas fiquem dentro das universidades, utilizando toda a estrutura pública e ainda definindo os projetos a serem desenvolvidos por professores e estudantes. Faz com que professores, que deveriam estar se dedicando à qualidade do ensino, fiquem à disposição de uma empresa”, declara.

O projeto de lei de ensino pós-pago também foi criticado. Ele prevê que egressos das universidades públicas que ganhem salários acima de um determinado valor paguem mais imposto de renda justamente pelo fato de terem estudado em universidade pública.

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