O projeto de assentamento-modelo proposto para a Fazenda da Araupel pelo governo federal esta semana encontra respaldo técnico no histórico de assistência da Secretaria da Agricultura ao pequeno produtor. A escolha do Paraná para a maior compra de terras destinada à reforma agrária também é justificada por essas ações de fortalecimento da agricultura familiar.

“A presença do Estado nesse assentamento, com apoio técnico, estabelece padrões para o País”, afirmou o governador Roberto Requião. Apesar da assistência técnica e apoio aos empreendimentos dos trabalhadores rurais sem terra estarem relacionados com o governo federal, por meio do Incra, o governo do Estado prestou assistência, neste ano, a mais de 8 mil famílias espalhadas em 180 assentamentos.

A agricultura familiar ocupa a maior parte das propriedades e da mão-de-obra, além de colocar o Estado entre os maiores produtores agrícolas do país. O projeto Paraná 12 Meses, destinado à agricultura familiar, beneficiou neste ano mais de 10 mil famílias. Em dez meses foram investidos R$ 54 milhões na capacitação da gestão agrícola, aumento da fertilidade do solo, difusão de novas tecnologias e infra-estrutura para moradias e escoamento da produção.

A orientação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e o investimento da Secretaria da Agricultura são responsáveis pela ocupação de 1 milhão de pessoas na agricultura familiar. As pequenas propriedades correspondem a 87% do total de terras agricultáveis do Estado.

Organização

A Emater também é responsável, em parceria com os sindicatos rurais, pela organização dos produtores para acesso ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Os técnicos levam esclarecimentos sobre as normas do programa e preparam a documentação necessária para o acesso aos recursos federais. Cabe ainda à Emater-PR dar toda a assistência técnica necessária para que o produtor tenha êxito no seu empreendimento.

Dados do Banco do Brasil indicam que, até outubro, o Pronaf beneficiou 72 mil famílias com investimento de R$ 215 milhões. Cerca de 30% maiores que no ano anterior, os recursos foram utilizados na compra de sementes, adubos e outros implementos. A soja é a cultura que mais recebeu recursos, com 60% dos investimentos, seguida pelo milho, com 25%. Esses números justificam os sucessivos recordes na produção de grãos.