No fim do ano, as pessoas não precisam apenas enfrentar fila e disputar espaço nas lojas para a compra de presentes. Dependendo do dia e do horário, a maratona já começa na hora de encontrar um lugar para deixar o carro. Chegar em um shopping é um verdadeiro exercício de paciência. Os veículos fazem enormes filas à espera de uma vaga em um estacionamento. O movimento pode aborrecer motoristas, mas por outro lado garante o 13.º salário de funcionários e manobristas.

No mês de dezembro aumenta em 10% o número de veículos trafegando pela cidade. Isso se reflete também na procura por estacionamentos. No Mille, que fica ao lado do Shopping Müller, o número de horistas aumentou em 50% nos últimos dias. "É gente à procura de presente", associa o proprietário Daniel Carneiro. O preço pago pelo estacionamento tem sido um grande atrativo: enquanto o shopping cobra R$ 3,00 a hora, eles cobram R$ 1,50. "Também prestamos um bom atendimento", reforça.

Segundo Carneiro, a procura tem sido grande todos os dias, mas se intensifica mesmo de quinta a domingo, principalmente depois das 18h. "As pessoas fazem fila na rua e ficam aguardando. Todo esse movimento continua também depois do Natal devido a troca dos presentes. Garantimos o nosso 13.º salário com isso", revela.

No Estacionamento Auto Park a situação é semelhante. Ele fica localizado bem no centro da cidade e mesmo com a hora a R$ 5, os oito manobristas não têm folga: correm o tempo todo. O manobrista Antônio Batista diz que o movimento aumentou no início de dezembro. "A nossa localização é excelente, bem perto de várias lojas", justifica. Conta que para dar conta do movimento, o proprietário remaneja os funcionários de uma unidade para outra e algumas pessoas fazem hora-extra. "Eu até que faço pouca hora-extra. Mas acho que mesmo assim vai dar uns R$ 100 extras. Já ajuda", fala.

No Estacionamento Zacarias, também no centro da cidade, o movimento teve um incremento de 20%. "As pessoas vão fazer compras. Estão sempre cheias de pacotes. Vêm aqui, pedem para guardar alguns e depois voltam para comprar mais", relata o proprietário José Roberto. Para ele, o movimento está superando os anos anteriores. Mesmo assim, comenta que o que ganha nesta época não compensa o baixo movimento em janeiro e fevereiro. "Fica todo mundo na praia", argumenta.

Sem incômodo

O comerciante Luiz Carlos Túlio conta que toda semana precisa fazer o serviço de banco e, por enquanto, os consumidores que lotam as lojas ainda não o incomodaram. "Dependendo da localização e do horário é possível achar uma vaga. Ainda não tive problemas", comenta. O grande número de estacionamentos no centro da cidade também ajuda um pouco. Segundo a Junta Comercial do Paraná, hoje há 281 estacionamentos em Curitiba, boa parte na região central

Guardadores

Os guardadores de carro que atuam junto aos grandes centros comerciais também estão faturando. Antônio de França Goes trabalha perto do Shopping Curitiba e acha que a renda vai aumentar em 20% nesta época. "A maior procura é depois das 18h", conta. Já Aroldo Dias não teve a mesma sorte. Ele atua distante das grandes lojas e o movimento está normal. "Até caiu nos últimos anos, acho que é devido a grande quantidade de estacionamentos", pondera.