A edição 2026 do Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR, na sigla em inglês) apontou que 45 das 52 universidades brasileiras listadas entre as melhores do mundo caíram de posição, incluindo as paranaenses listadas.

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Divulgado na segunda-feira (1º/06), o ranking anual da CWUR lista as 2 mil melhores universidades entre 21.291 instituições classificadas. Oito das que ocupam as dez primeiras posições estão nos Estados Unidos. Harvard, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade de Stanford ocupam os respectivos três primeiros lugares, como na edição do ano anterior. Mas enquanto os EUA contam com 313 universidades listadas, a China soma 360.

Pró-reitora de pós-graduação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Edneia Cavalieri defende que, mais do que queda, trata-se de um ajuste. Ela pede cautela na análise do ranking, pois entre diversos fatores, entende que a listagem exclui especificidades do sistema brasileiro de ensino, assim como particularidades de cada país avaliado.

Além disso, ela cita a inclusão de mais de 300 novas instituições à análise, o que teria alterado posições de universidades em colocações intermediárias. Mais uma vez melhor colocada entre as instituições brasileiras, a Universidade de São Paulo (USP) lidera na América Latina. A UFPR permaneceu como a décima melhor instituição do país.

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Edneia reforça que existem diversas listagens sobre instituições de ensino, cada uma com métricas e pesos próprios. “É preciso avaliar com cuidado quais são as métricas e como essas análises interferem no resultado final”, pondera. Ela também destaca que o ranking é relativamente novo: esta foi a 15ª edição da listagem.

Ao todo, a edição deste ano analisou 81 milhões de dados de 21.291 instituições. As melhores colocadas entraram para a lista Global 2000. A metodologia da CWUR toma como base sete indicadores objetivos e robustos, agrupados em quatro áreas, para classificar as universidades. São eles:

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1) Educação: considera o sucesso acadêmico dos ex-alunos da universidade, medido em relação ao tamanho da universidade (25%)
2) Empregabilidade: com base no sucesso profissional dos ex-alunos da universidade, medido em relação ao tamanho da universidade (25%)
3) Corpo Docente: medido pelo número de membros do corpo docente que receberam distinções acadêmicas de alto nível (10%)
4) Pesquisa:
. Produção Científica: medida pelo número total de artigos científicos (10%)
. Publicações de Alta Qualidade: medida pelo número de artigos científicos publicados em periódicos de alto impacto (10%)
. Influência: medida pelo número de artigos científicos publicados em periódicos de grande influência (10%)
. Citações: medida pelo número de artigos científicos altamente citados (10%)

Elaborado pela consultoria britânica Quacquarelli Symons, a QS World University Rankings avalia empregabilidade e reputação acadêmica; a Times Higher Education (THE) analisa ensino, pesquisa e impacto de citações; enquanto a Academic Ranking of World Universities, ou Ranking de Xangai, considera como principais fatores pesquisa científica e prêmios de ex-alunos e professores.

Queda ou ajuste?

As cinco universidades do Paraná que figuram no ranking aparecem em posições inferiores às que estavam em 2025. A UFPR desceu da posição 783 para a 799. Na pontuação, somou 71.9, sendo 100 a nota máxima.

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) desceu da posição 1368 para a 1422, com pontuação geral de 68.4. A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) foi da posição 1455 para a 1482, com pontuação geral de 68.2.

Com 67.7 de pontuação geral, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) recuou da posição 1526 para 1642. A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desceu da posição 1785 para a 1827, com pontuação geral de 66.8.

Edneia não considera que as universidades caíram e chama atenção para o fato de que o CWUR inseriu um número grande de novas universidades na listagem. “O fator mais importante é que 325 novas instituições foram acrescentadas na análise entre 2025 e 2026. Isso naturalmente mexe na classificação de todas as instituições que estão ranqueadas”, opina.

“O ranking evidencia que a China passou os Estados Unidos em número de instituições e sabemos da potência que a China tem se mostrado nos últimos anos. Incluindo mais instituições chinesas, fatalmente essas posições seriam influenciadas”, aponta.

A entrada de novas universidades na listagem afetou mais as posições intermediárias do que as que aparecem no topo da lista, já que as novas instituições se posicionam nos extratos menores.

Olhares diferentes

Por outro lado, Nadim Mahassem, presidente do CWUR, classificou o panorama brasileiro como preocupante, já que 87% universidades públicas do país avaliadas pela organização apresentaram queda. Ao comentar os resultados do ranking, afirmou que “o declínio das universidades brasileiras reflete anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”.

O ranking divulgado nesta semana, explica Edneia, mede indicadores independentes das universidades, sem considerar especificidades e peculiaridades do país que analisa, como se estabelecesse uma régua única para a medição global.

“Nosso sistema brasileiro de ensino não é passível de se parametrizar com outros países. O adequado é olharmos para os rankings internos que acabam refletindo muito melhor o perfil nacional. O indicador nacional não se moveu, nos posicionando ainda como a 10ª do Brasil e a 1ª do Paraná, e é isso que importa em uma análise mais objetiva desse ranking”, aponta.

Segundo a pró-reitora, a UFPR produziu cerca de 50 mil artigos entre 2015 e 2024, período analisado pelo CWUR. A maior contribuição em pesquisas tem origem na área de saúde e bem-estar, informa. Considerando o número de docentes pesquisadores vinculados à pós-graduação, a média estimada é de quase 23 artigos por docente, “um excelente número dentro das métricas nacionais”, comemora.