Foto: Arquivo/O Estado

 Mac Donald pretende sancionar a mudança na próxima semana.

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Um protesto contra a alteração da grafia do nome do município de Foz do Iguaçu para Foz do Iguassu, já aprovada pela Câmara de Vereadores, deve chegar aos tribunais. O escritor, poeta, professor e integrante da Academia de Letras do Extremo-Oeste do Paraná, Nilton Bobato, prepara ação popular contra essa mudança. "Há unanimidade entre os professores de português de que não deve haver alteração", disse.

A intenção é entrar hoje ou no início da próxima semana pedindo liminar que impeça o prefeito Paulo Mac Donald Ghisi de sancionar o projeto. O prefeito já se declarou favorável à mudança, mas Bobato, que também é funcionário da Prefeitura, espera convencê-lo do contrário. Para isso pretende agendar uma reunião entre Ghisi e os professores de português.

Bobato vai argumentar na ação que a Câmara de Vereadores não tem poderes para legislar sobre o nome da cidade. "Só uma lei estadual poderia alterá-lo", argumentou. Além disso, salientou que a ortografia é regida por lei federal. Segundo ele o decreto-legislativo 54/95 aprovou o texto do acordo ortográfico assinado em 16 de dezembro de 1990 entre os países de língua portuguesa, que tinha começado a ser construído em 1945. "E a Câmara de Foz quer alterar tudo isso", criticou.

Para a professora do Departamento de Lingüística, Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade Federal do Paraná, Lígia Negri, a mudança está ferindo a normas da Língua Portuguesa. Iguaçu é uma palavra de origem Tupi: "I" significa água e "guaçu" muito grande. Ficou convencionado que o sufixo guaçu seria escrito com "cedilha" e todas as palavras que terminam da mesma forma seguem regra.

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Lígia explica que as normas existem para padronizar e evitar confusões. "O que pode acontecer com a língua se todo mundo quiser ficar mudando uma palavra?", questiona. Além disso, a professora explica que a mudança não se justifica devido a uma série de prejuízos que vai causar, entre eles o pedagógico. As crianças vão ter dificuldade para entender que o nome do rio que deu nome à cidade se escreve de um jeito e o do município é de outro.

Em uso

Muitos hotéis da cidade já utilizam os dois "s" em seus folhetos de divulgação, pois os hóspedes são de várias nacionalidades. Empresas de tecnologia de informação também desenvolveram ferramentas que facilitam o uso do "c" cedilhado em computadores. "Se não houver mudança não prejudica o setor, mas se houver facilita e agrega valor", afirmou Luiz Antônio Rolim de Moura, presidente do Sindicato dos Bares e Restaurantes de Foz do Iguaçu. Mas ele ressaltou que o mais importante é o interesse da comunidade. "Só isso (turismo) não pode prevalecer."

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Na próxima semana, o prefeito de Foz do Iguaçu, Paulo Mac Donald, deve sancionar a lei que troca a grafia do nome da cidade e a primeira mudança vai ocorrer na placa que fica em frente à prefeitura: Foz do Iguaçu será substituída por Foz do Iguassu. No entanto, no restante da cidade a mudança será gradativa. "Não há nenhum dinheiro previsto no orçamento para fazer as mudanças. Elas vão ocorrer aos poucos. Não vamos gastar o dinheiro do povo", diz.