Lucimar do Carmo / O Estado do Paraná
Fachada do Colégio Estadual Pinheiro do
Paraná: alvo de gangues da vizinhança.

A pichação é um problema comum e preocupante dentro das escolas públicas de Curitiba e Região Metropolitana. Em muitas instituições, além de muros, são pichadas paredes, portas de banheiros e carteiras.

Segundo a diretora do Departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação de Curitiba, Rosemari Castro, são atingidas escolas localizadas em diversos bairros da capital, mas o problema é mais visível em regiões como Cajuru, Bairro Novo e Cidade Industrial. “Geralmente, as responsáveis pelas pichações são gangues de jovens que moram em bairros próximos de onde as escolas estão localizadas. Muitas vezes, os próprios alunos das instituições integram essas gangues”, comenta Rosemari.

Para combater as pichações, muitas escolas estão tomando providências. É o caso da municipal Jardim Pinheiro, localizada no bairro de Santa Felicidade. Em parceria com a organização não governamental Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil, a instituição vem conseguindo reduzir os índices de vandalismo. “Há três anos, junto com a associação, estamos trabalhando na tentativa de conscientizar os alunos sobre os prejuízos gerados pelas pichações. Mostramos a eles que, se houver pichação, temos que gastar dinheiro com a compra de tinta e deixamos de investir em outros benefícios à escola”, conta a diretora auxiliar Márcia Pollo. “A conscientização acontece através de palestras e ações de despiche, gerando resultados bastante positivos.”

Já a escola municipal Professora América da Costa Sabóia, na Cidade Industrial, resolveu acabar com a pichação, levando a comunidade para dentro da instituição. No local, tanto alunos quanto pais e moradores vizinhos são convidados a participar das atividades desenvolvidas. Entre elas, palestras e reuniões referentes à sujeira presente em muros, paredes e carteiras. “O objetivo é que as pessoas saibam que a escola é de todos e aprendam a cuidar dela”, diz a diretora Eli Terezinha Taborda Guerra.

Poesias

Também com o objetivo de conscientizar os estudantes sobre os prejuízos gerados pela pichação, a Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil, em parceria com a Academia Paranaense de Letras e o Instituto Euclides Cunha, está promovendo o concurso de poesia “Despiche sua Cidade”.

Nele, os estudantes de escolas estaduais, municipais e particulares de Curitiba são convidados a escrever poesias sobre a pichação. Os vinte melhores textos serão publicados em um pequeno livro que será lançado até o início do próximo ano. Os autores das poesias vencedoras serão conhecidos em outubro e irão ganhar, cada um, quinhentos exemplares do livro.