O Colégio Estadual Ambrósio Bini, em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba, possui três localidades diferentes. A primeira é um prédio abandonado, construído em 2002 e interditado em 2003 devido a problemas estruturais.

A segunda se refere a um espaço “emprestado” de uma outra escola, onde a maior parte dos alunos foi acomodada quando o colégio sofreu interdição. Como não cabia todo mundo no mesmo lugar, um galpão foi alugado para o restante dos estudantes, a 300 metros da primeira parte improvisada. A situação já dura sete anos e a comunidade escolar não vê uma solução para o problema, que afeta o processo de ensino e aprendizagem.

Nesta semana, professores e alunos realizaram um protesto na cidade cobrando uma saída para o colégio. São 1,4 mil alunos na escola, divididos em três turnos. “O colégio era novo e não teve nem um ano de uso. Apareceram rachaduras nas quais é possível colocar o braço”, relata a professora Josiane Andreatta.

Alunos, professores e funcionários convivem diariamente com um calor insuportável nas duas sedes improvisadas. Parte da verba destinada à manutenção do colégio foi usada para a compra de ventiladores.

Na escola “emprestada”, os constantes atos de vandalismo (como a quebra dos vidros) forçaram a colocação de tapumes nas janelas, dificultando a circulação do ar.

Em um dos locais improvisados, não há banheiros para a comunidade escolar. Alunos e professores precisam ir nas dependências de outra escola próxima. Mas, se o portão estiver fechado e ninguém puder atendê-los ao lado, a alternativa é usar um espaço atrás do colégio.

No campus II (como indica a placa no local), instalada em um galpão, a estrutura interna é feita de madeirite, onde não é possível fixar nem mesmo um extintor de incêndio.

O único para todo o prédio está preso a um quadro de recados. Nessa parte também não há biblioteca nem secretaria. As salas são tão pequenas que não existe folga entre as carteiras. Os quadros-negros não cabiam nas paredes e foram cortados.

A comunidade escolar recebeu informações desencontradas sobre o que acontecerá com o colégio. Mas, com o protesto, conseguiram uma reunião que juntará a Secretaria de Estado da Educação (Seed), prefeitura de Almirante Tamandaré e uma comissão formada por professores e estudantes. O encontro está marcado para a próxima segunda-feira.

A Seed, por meio de nota divulgada pela assessoria de imprensa, informou que estão sendo realizados estudos geológicos complementares no terreno onde será construída a nova unidade do colégio.

Assim que o laudo for concluído, segundo a secretaria, serão realizadas as adequações ao projeto original, que será encaminhado para a Secretaria de Estado de Obras Públicas para orçamento. Somente depois disso será promovida a licitação da obra. Sobre o prédio interditado, corre na Justiça um processo para avaliar se houve falha da construtura responsável.