Com tintas e pincéis nas mãos, um grupo de alunos da Escola Estadual Isolda Schmid, da Vila Hauer, em Curitiba, recuperou o muro do colégio, que estava coberto por pichações. O trabalho faz parte do programa de combate a pichações, desenvolvido pela Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil. A iniciativa serve para conscientizar os alunos sobre o problema e fazer com que esse espírito de cidadania seja empregado na própria escola, com a preservação do patrimônio.

O programa é desenvolvido há quatro anos e já atingiu cerca de quarenta mil alunos de escolas públicas da capital. A coordenadora de Campanha da Associação, Estela Rohde, comenta que o trabalho começa com uma palestra, onde os estudantes recebem informações sobre as implicações desse ato. Entre elas, estão as implicações penais. “Se o pichador for menor e pego em flagrante, terá que cumprir medidas sócio-educativas. Já no caso do maior de idade, a punição varia de três meses a três anos de prisão”, explicou Estela.

Eles também aprendem como podem contribuir denunciando o problema, através do telefone 1532, da Guarda Municipal, ou 190, da Polícia Militar. O objetivo disso, comenta a coordenadora, é que o aluno repasse essas informações para os irmãos ou colegas, que muitas vezes podem estar praticando esse tipo vandalismo. Depois da palestra, eles colocam a mão na massa, ou melhor, na tinta, e vão recuperar o patrimônio. “Essa ação faz com que os alunos valorizem o patrimônio, que também é deles”, falou.

Para a pedagoga Célia Regina Lemos essa conscientização deve refletir na vida dentro da escola, pois eles acabam preservando o mobiliário, que muitas vezes é danificado com tintas e estiletes. “Alguns alunos fazem nas carteiras os que pichadores fazem nos muros”, falou Regina. O diretor da escola, Osvaldo Magalhães Soares Filho, acredita que colocando as crianças perto dessa realidade eles entendem que viver em sociedade implica em regras, “e se eles picharem o muro do vizinho eles estão infringindo essas regras”.

Conscientes

O trabalho de recuperação começou com o muro da escola, mas logo atraiu a atenção da vizinhança. O proprietário de uma empresa situada ao lado do colégio também pediu a colaboração dos pequenos pintores. Para Orion Ribeiro, de 10 anos, o projeto é muito inteligente, “pois se a gente não preservar o mobiliário urbano que tem hoje, não vamos deixar nada para nossos filhos”. Alexia Amada Machado dos Santos, de 9 anos, diz que os pichadores poderiam olhar um pouco o trabalho feito pelos alunos e valorizar essa atitude. Fabrício Lazzares, de 9 anos, afirmou que a tinta que foi gasta para recuperar o muro não é nada em relação ao patrimônio que estão preservando. Já a aluna Sabrina Neves, 9 anos, foi mais longe e desafiou: “se eles voltarem a pichar, nós vamos pintar de novo”.

continua após a publicidade

continua após a publicidade