Foto: Ciciro Back/O Estado

Jesus Santamaria: exame feito
por clubes não é 100% eficaz.

Verão é tempo de sol, praia, mar e piscina. Mas é também tempo de problemas de pele. Não só pelo excesso de exposição ao sol, mas pela atuação da água como agente transmissor de fungos e bactérias. Assim, é comum pessoas que freqüentam locais de grande aglomeração, como praias movimentadas e piscinas de clubes, parques aquáticos ou condomínios, apresentarem anomalias de pele, como as conhecidas micoses.

Com o objetivo de reduzir o risco de transmissão dessas doenças de pele, exames médicos são obrigatórios antes do uso da piscina. O dermatologista Mário Grinblat, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, considera a medida pouco eficaz. ?As avaliações não são suficientemente rigorosas e deixam de detectar parte das doenças que podem ser transmitidas em ambientes de uso comum?, explicou.

Para ele, aquele simples exame a olho nu entre os dedos e em dobras do corpo, utilizado pela maioria dos estabelecimentos com piscina, não é capaz de identificar todos os tipos de micoses. ?Para evitar a presença de pessoas com esse tipo de infecção e o contágio das demais seria necessário uma observação mais cuidadosa, com o exame em hospitais e clínicas ou com a adequação dos ambulatórios dos locais de banho, que normalmente não possuem os equipamentos necessários?, afirmou Grinblat.

Chefe de dermatologia do Hospital de Clínicas de Curitiba, o médico Jesus Santamaria reconhece que o exame feito por clubes e condomínios não é 100% eficaz, mas que já ajuda a evitar a transmissão de diversas doenças nas piscinas. Ele salientou ainda que, como o exame é feito apenas a olho nu, alguns problemas dermatológicos não contagiosos, como a psoríase, podem ser confundidos com micoses e fazer com que a pessoa seja barrada na piscina. ?O ideal seria um exame completo. Feito para avaliar toda a situação da saúde dessa pessoa?, disse o médico, lembrando que ainda há casos de pessoas que urinam da piscina e que podem, assim, transmitir outras doenças.

Enquanto os exames não se tornam mais rigorosos, Santamaria dá dicas para quem quer aproveitar uma piscina sem correr risco de contrair uma doença de pele. ?É bom observar, ao menos, se o exame é feito por um médico ou um estudante de medicina, ver as condições de higiene do local e como é feita a manutenção da piscina e levar seus próprios objetos, como chinelos e toalhas?, orientou.