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Animais da ONG e de moradores foram vítimas da estricnina na cidade.

A Organização Não-Governamental (ONG) Arca de Noé está denunciando o uso de estricnina para matar animais de estimação em Marechal Cândido Rondon, região oeste do Estado.

No fim do ano passado, cerca de 40 animais que estavam sob os cuidados da ONG em uma chácara foram vítimas do veneno, que é capaz de matar em apenas 10 minutos. Há três semanas, o problema voltou a ocorrer: outros animais da entidade e de moradores também foram mortos.

Acredita-se que os animais tenham ingerido comida envenenada. O médico veterinário Ari Giefel disse que, além dos cães e gatos da ONG, animais domésticos de outros moradores também morreram. ?Só na clínica onde trabalho chegaram em abril sete ou oito animais já mortos.?

Ele explica que os sintomas de todos as bichos são parecidos e estão relacionados a ingestão de estricnina. Em poucos minutos, o veneno paralisa os músculos e os animais não conseguem respirar, morrendo asfixiados. ?É muito difícil de salvar. Só daria tempo se o dono visse que o animal ingeriu o veneno e fosse imediatamente procurar ajuda?, diz.

No ano passado, a ONG fez um boletim de ocorrência na delegacia da cidade e agora estão preparando material para fazer nova denúncia, inclusive para a prefeitura da cidade e para o Ministério Público Estadual. ?A forma como a morte ocorre é violenta. Uma pessoa que faz isto perdeu todo o sentido da vida. Me preocupa o que pode fazer com um ser humano?, disse a advogada colaboradora da ONG, Bianca Pizzatto de Carvalho.

O delegado da cidade, Ary Nunes Pereira, diz que assumiu o cargo há poucos dias e que ainda não tomou conhecimento da situação. Ele está esperando que a entidade procure a delegacia. Na prefeitura da cidade, o diretor do Departamento de Saúde, Ademar Roehrs, também disse que nunca receberam nenhuma denúncia deste tipo. Quando elas chegarem serão tomadas as providências cabíveis, como a fiscalização da comercialização irregular.

A comercialização da substância é proibida no País, mas devido a proximidade com o Paraguai, supõe-se que esteja chegando de forma irregular. Uma pequena quantidade do produto é capaz de matar em poucos minutos. A estricnina era usada para matar ratos, mas também colocava em risco outros animais e até crianças.