Quem passa nas ruas do centro de Curitiba ou pára o carro nos sinaleiros em locais movimentados, recebe uma enxurrada de papéis, panfletos e folders de lojas anunciando ofertas de produtos e serviços. Essa tática foi adotada há alguns anos e vem trazendo bons resultados para os lojistas. Mas muitas pessoas não gostam da abordagem dos entregadores de panfleto. Não abrem o vidro do carro, nem olham para eles ou, quando pegam o papel, jogam imediatamente no lixo e até no chão. “Muita gente passa reto, mas alguns param e acabam conversando”, comenta Roseli Aparecida de Oliveira, que trabalha neste ramo há quase dois anos.

Ontem foi o terceiro dia de trabalho de Fernando Henrique Veraldo como entregador. Ele explica que o descaso das pessoas na abordagem faz com que se crie táticas para isso. “Sempre damos um jeitinho, paramos a pessoa, damos uma corridinha. Elas acabam dando atenção”, indica.

Tanto Fernando quanto Roseli recebem o dinheiro pelo serviço diário nos fins de semana, diretamente das empresas para as quais trabalham. Muitos entregadores, porém, são pagos pela quantidade de folders dispensados. Alguns deles despejam um calhamaço à cada pessoa para acabar mais rápido.

A dona-de-casa Mara Pereira Tavares conta que sempre pega os panfletos. “Às vezes tem alguma coisa que estamos precisando ou com preços bons. Dou uma selecionada nos papéis e levo alguns para casa”, revela. De acordo com ela, a quantidade de entregadores nas ruas é tão grande que dá para encher uma bolsa grande de tanto papel de oferta.

Um dos estabelecimentos que usam essa tática é a Diva Cosméticos, no calçadão da Rua XV de Novembro. A gerente da loja, Neuza Alves de Moura, afirma que os panfletos são feitos há três anos, desde a abertura da loja, com tiragem de 35 mil exemplares por mês. Nas épocas de comemorações, como Dia das Mães, a quantidade aumenta um pouco. No final de ano, a tiragem é de 200 mil panfletos.

Neuza conta que são colocados alguns destaques nos folders para o consumidor entrar e dar uma olhada nas prateleiras. “Colocamos no papel alguns produtos que chamam atenção pelo preço. Não é todo jornal que é um sucesso, mas o retorno é muito grande”, explica. “Aqueles que vieram por causa do panfleto chega a 50% do total de clientes”, revela Neuza.