Atualmente, conseguir um emprego formal é considerado quase um desafio, principalmente para aquelas pessoas que não possuem qualquer tipo de formação profissional e têm dificuldades financeiras para investir em cursos de capacitação. Sabendo disso, muitas organizações não governamentais (ONGs) e entidades filantrópicas estão atuando na oferta de cursos semiprofissionalizantes, que dão aos alunos conhecimentos para que possam entrar no mercado de trabalho pela primeira vez ou conseguir um novo emprego. Geralmente, os cursos mais oferecidos pertencem à área de informática.

“No nosso curso de informática, trabalhamos bastante a profissionalização. Os alunos aprendem o básico e têm o primeiro contato com o computador. Isso acaba sendo um primeiro passo para que eles entrem no mercado de trabalho, que hoje exige conhecimentos de informática”, diz a coordenadora do projeto Abrindo Caminhos, mantido pela organização religiosa Irmãs Beneditinas da Divina Providência, Maria José Barbosa dos Santos. O projeto oferece aulas de informática duas vezes por semana, a adolescentes carentes de 12 a 17 anos. Atualmente, 93 jovens participam.

Outra entidade que disponibiliza o acesso à informática a pessoas de baixa renda de Curitiba e Região Metropolitana é o Comitê para Democratização da Informática (CDI). A ONG faz parcerias com empresas e promove a formação de instrutores, que por sua vez oferecem cursos voltados a comunidades carentes.

Esses cursos têm um custo simbólico que, por módulo, variam de R$ 10 a R$ 15. O objetivo, além de estimular a inclusão digital, é promover a cidadania. “As pessoas que participam dos cursos recebem um certificado, através do qual adquirem maiores oportunidades de conquistar um emprego. Hoje é preciso ter conhecimentos em informática até para acessar um caixa de banco”, explica a coordenadora executiva e de projetos sociais do comitê, Jacimara Forbeloni. “Contamos com trinta escolas de informática em Curitiba e região, 76 educadores formados e cerca de 1.200 alunos”.

Cursos de capacitação na capital também são oferecidos pela Fundação de Ação Social (FAS). Além de informática, são ministrados – através de trinta liceus de ofício -cursos de moda, confecção, panificação e gastronomia, entre outros. Todos cobrando valores simbólicos, que variam de R$ 5 a R$ 10.

Alunos

As pessoas beneficiadas por cursos oferecidos por ONGs e entidades filantrópicas apóiam as iniciativas. “Me tornei aluno do CDI em outubro do ano passado. Eu não tinha qualquer conhecimento em informática nem condições financeiras de fazer um curso”, conta o estudante Diego Torres Pereira. “Hoje atuo como instrutor no comitê e acho que tenho mais chances de conseguir um emprego. A informática abre novos caminhos”.

A enfermeira Antônia Ana Dela Nora começou a estudar informática no último mês de setembro, também pelo CDI. Ela resolveu fazer o curso porque, por não ter conhecimentos na área, estava enfrentando dificuldades profissionais. “A gente precisa estar sempre se atualizando”.