Cíciro Back / O Estado do Paraná
Um dos pojetos é um elevado ligando
Curitiba ao Aeroporto Afonso Pena.

Mesmo aposentado, o engenheiro Osmar Ribeiro, 83 anos, não pára de planejar obras de vanguarda para Curitiba. Formado em 1955 pela Universidade Federal do Paraná, ele e outros colegas do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) se debruçam em projetos que visam encurtar distâncias. Um deles seria um elevado ligando, em apenas dez minutos, Curitiba ao Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. O outro se trata de um trem de alta velocidade ligando Curitiba a São Paulo, em apenas duas horas.

Osmar, que poderia passar os dias apenas descansando, prefere gastar boa parte do seu tempo desenvolvendo idéias e projetos para melhorar a qualidade de vida na capital. Um deles pretende deixar Curitiba mais perto do aeroporto. O engenheiro conta que devido ao trânsito as pessoas costumam levar quase uma hora para percorrer o trajeto. “Estamos começando a desenvolver a idéia (do elevado, que reduziria para dez minutos o deslocamento) e quem sabe apresentar para a Prefeitura”, fala.

O outro projeto que está sendo estudado por Osmar é mais ambicioso. Uma ferrovia para um trem de alta velocidade. Ele sairia de uma estação construída entre o viaduto da Avenida Salgado Filho e Marechal Floriano. Devido as características topográficas, o traçado passaria por Ponta Grossa ou pelo Vale do Ribeira, num trajeto mais curto. No entanto, o Brasil ainda não tem tecnologia para implantar o sistema – o trem andaria a 300 quilômetros por hora, chegando a São Paulo em apenas duas horas.

Osmar trabalhou em vários projetos no Paraná e em outros estados ao longo de sua vida. Seis anos após formar-se engenheiro civil, tornou-se engenheiro ferroviário pela Escola de Engenharia da Universidade do Brasil. A maior parte dos seus trabalhos é focado nessa área. Hoje não se conforma com o estado lastimável da maioria das ferrovias brasileiras. Para ele, desde que elas foram privatizadas, não se ouviu mais falar em investimentos e muito menos em manutenção. Com isso, o Brasil deixa de fazer economia, pois o transporte pelos trilhos é 40% mais barato.

Osmar já trabalhou como engenheiro de campo na estrada de ferro Santos-Jundiaí e também foi engenheiro residente na supervisão e locação topográfica da BR-14, Transbrasiliana. Entre 1969 e 1990, se dedicou exclusivamente às ferrovias, ocupando vários cargos. Entre eles, o de engenheiro inspetor e executor de obras da Estrada de Ferro Paraná – Santa Catarina, foi assessor do diretor de engenharia da administração da Rede Ferroviária Federal no Rio de Janeiro, engenheiro-chefe da Unidade de Suprimento da Regional Curitiba da RFFSA e coordenou a execução do projeto de recuperação da infra e superestrutura da linha férrea da Regional Curitiba. Também cumpriu vários estágios no exterior e conheceu obras ferroviárias nos Estados Unidos, Suíça e França.

Para comemorar os 150 anos de construção da primeira ferrovia ligando o Porto de Mauá, no Rio de Janeiro, à Serra de Petropólis, escreveu um livro falando sobre a sua trajetória. Mas além de se dedicar à engenharia Osmar também é artista plástico, escritor e inventor. No ano passado foi premiado com uma obra que retratava o Largo da Ordem.