Uma enfermeira obstetra e duas irmãs dela foram indiciadas pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) por suspeita de venderem medicamentos abortivos nas redes sociais. As mulheres, que moram em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, teriam anunciado o envio dos medicamentos para todo o Brasil, via Correios.
Elas respondem em liberdade, pois, durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a PCPR não encontrou os medicamentos. Os nomes das investigadas não foram divulgados e, segundo a polícia, elas ainda não possuem defesa.
A equipe policial apreendeu celulares com provas das vendas. O delegado Derick Moura Jorge afirmou que foi encontrado um grupo virtual bem estruturado. Segundo ele, as suspeitas dividiam tarefas, como o controle de preços e a sondagem de clientes.
Ainda de acordo com o delegado, a enfermeira obstetra utilizava os conhecimentos técnicos para, além de vender, orientar sobre o uso dos medicamentos e acompanhar as clientes após a utilização.
Elas foram indiciadas pelos crimes de associação criminosa e de “falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais”. A pena varia de 10 a 15 anos de prisão, além de multa. Já as clientes identificadas nos celulares das suspeitas serão investigadas pelo crime de aborto.
O inquérito policial foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MPPR), que avaliará o oferecimento da denúncia. As investigações continuam para identificar como as irmãs obtinham os medicamentos. As principais hipóteses são importação ilícita, desvio de unidades públicas de saúde ou auxílio de terceiros.
Denúncia começou em Santa Catarina
O delegado explicou que as investigações começaram após uma denúncia técnica encaminhada pelo Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC).
De acordo com a polícia, o número divulgado nos anúncios de venda das pílulas utilizava DDD de Santa Catarina, pois as mulheres simulavam que a base das operações ficava naquele estado. No entanto, com o avanço das apurações, os policiais descobriram que as investigadas, de 25, 27 e 28 anos, moravam e atuavam em Ponta Grossa.
O Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR) acionou o departamento jurídico para identificar a profissional envolvida no caso e afirmou que adotará as medidas previstas na legislação e no Código de Ética da profissão.
Já os Correios informaram que atuam “com os órgãos de segurança e fiscalização para prevenir o envio de itens proibidos por meio do serviço postal”.
