Sindicatos de estabelecimentos de ensino particulares de todo o Brasil se reuniram ontem, em Curitiba, para discutir alternativas de gestão e assuntos de relevância para o setor, como a reforma universitária.

Para os representantes da classe, o Brasil vive um momento intenso de interferência governamental nas questões do ensino privado, abrindo necessidade de discussão sobre tópicos como a participação reduzida de mantenedores nos conselhos gestores das instituições privadas de ensino e não-incentivo às universidades especializadas.

Para o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe), José Manoel Caron Júnior, destinar somente 20% das cadeiras nas reuniões que decidem a gestão dos estabelecimentos aos mantenedores é uma idéia revidada. "Nós investimos e, na hora de gerir os negócios, a maior parte das decisões não é nossa", acredita.

Desempenho

Os representantes sindicais também levantam a bandeira de que o desempenho profissional define um espelho da qualidade de ensino. "Nossa responsabilidade é medida pelos resultados que os alunos alcançam posteriormente." Posicionamento que é compartilhado pelo dirigente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), José Antônio Teixeira. "No Brasil, analisa-se quantos doutores existem em uma instituição, mas não há espaço para uma avaliação do aluno. Deveríamos avaliar a clientela no momento em que entra no ensino superior", opina.

Redirecionando os tópicos da reforma – que define parâmetros de ensino, pesquisa e extensão por conta das universidades -, o presidente da federação defende a idéia de desenvolver no País mais universidades especializadas, aliando pesquisa a uma formação mais prática e direta, atraindo inclusive mantenedores em potencial. "No Rio de Janeiro temos o exemplo do Coppe – se referindo ao Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) -, que é quem mais pesquisa para a Petrobras. Lá eles conseguem manter excelentes quadros docentes porque a empresa precisa da universidade para fazer pesquisa."