Mais de 350 vigilantes que trabalhavam na empresa Alerta Vigilância e prestavam serviço nas agências do Banco do Brasil devem passar o fim de ano sem receber a rescisão trabalhista. Eles foram demitidos no dia 14 de novembro, mas a empresa afirmou que não irá pagar o acerto e vai apenas liberar as guias do FGTS. Além deles, 300 vigilantes estão na mesma situação e outros 1,8 mil trabalhadores que também realizam a vigilância em entidades públicas correm o risco de passar pelo mesmo problema.

Para o presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná, João Soares, trata-se de um grande golpe em andamento há pelo menos um ano. “Há algum tempo a empresa apresenta sinais de que tem a intenção de dar calote”, conta. No ano passado uma fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho apontou irregularidades no recolhimento do fundo de garantia, o que chamou a atenção do sindicato. Além disso, os funcionários passaram a reclamar dos atrasos nos pagamentos, fazendo com que algumas empresas que contrataram o serviço deixassem de repassar recursos para a Alerta e começassem a pagar os salários diretamente para os trabalhadores.

De acordo com Soares, houve negligência por parte das empresas que não fiscalizaram a atuação da Alerta. A empresa continuou a funcionar mesmo com os problemas apontados e foi vendida a duas pessoas que o presidente da federação classifica como laranjas. “Essas pessoas compraram do antigo proprietário para ele se eximir da responsabilidade de pagar as dívidas. E já estão dizendo que venderam a empresa para outro grupo religioso. É lamentável que isso aconteça”, denuncia. Ao anunciar que não irá pagar a rescisão, a empresa orientou os funcionários a procurar a justiça para conseguir seus direitos trabalhistas.

Este não é o único caso em andamento de empresa que deixou de pagar os direitos trabalhistas a seus funcionários, o que é muito comum nesta época do ano. Soares conta que as empresas fecham as portas para não precisar pagar benefícios como o 13.º salário. No ano passado foi registrado um caso semelhante, mas nenhum deles tão grave quanto a situação na Alerta. A Tribuna tentou entrar em contato com os representantes da empresa, mas não foi atendida em suas ligações.