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Trabalhadores sem salário há dois
meses exibem cheques sem fundo.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cimento, Argamassa, Cal e Gesso do Paraná acionou ontem o Ministério Público do Trabalho, para pedir o arrestamento dos bens e garantir os direitos trabalhistas de 400 funcionários da Empresa SJB Indústria de Cal Ltda., que tem o nome de fantasia Cal Forte. Além da matriz, localizada na Rodovia dos Minérios, no quilômetro 24, outras seis unidades da Cal Forte que fabricavam cal e calcário, nos municípios de Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, fecharam as portas.

Nessas unidades funcionavam as fábricas Cal Coagro, Isocal, Cal Barigüi, Cal Santa Maria, Coincal e Gulin Cal, antigas concorrentes, e que foram adquiridas recentemente pela Cal Forte. Na última quarta-feira, ao chegarem para trabalhar, os funcionários da empresa foram comunicados da dispensa. Um grupo de 150 trabalhadores esteve ontem em frente à Cal Forte, para tentar impedir a retirada de bens do local, entre máquinas, caminhões, computadores e material de escritório.

Os funcionários estão com dois meses de salários atrasados, sem depósito do FGTS desde janeiro, além de receberam pagamento com cheques sem fundo. Eles informaram que na noite de quarta-feira, um dos donos da empresa, Albino Filla, teve que sair da sede escoltado pela polícia, durante a mobilização. A Cal Forte funcionava há sete anos, e fornecia cal e calcário para outros estados. Os proprietários atuais tinham assumido a empresa há poucos meses.

A advogada do sindicato, Rita de Cássia Tenczerk, ressaltou que cerca de 4 mil cheques sem fundo foram emitidos pela empresa. Ela recolheu grande parte desses cheques e usou como prova para acionar o Ministério Público. “Os funcionários foram enganados e querem seus direitos. Isso é essencial”, diz. Os trabalhadores que participaram da mobilização também contaram que o outro dono da empresa, Carlos Roberto Borges, fez um boletim de ocorrência nas últimas semanas em uma delegacia de Curitiba, alegando que os quatro mil cheques haviam sido roubados. Segundo eles, um motorista da empresa chegou a ser detido por policiais por estar portando um dos cheques. “Os cheques eram nominais. Inventar uma desculpa para não cumprir o contrato com os funcionários e fazer uma denúncia em uma delegacia é um absurdo”, destacou Vílson Moreira dos Santos.

Vílson trabalha na Cal Forte desde 1999, e nunca percebeu problemas financeiros na empresa. Ele reclama, junto com os demais, que há dois meses não recebem e não têm dinheiro para pagar as contas. “Fomos pegos de surpresa. Chegamos aqui e as portas estavam fechadas. Já não recebíamos trabalhando, imagine agora. Queremos que eles paguem o que nos devem”, afirmou.

Laranja

Albino Filla e Carlos Roberto Borges estão entre os donos da empresa, mas no contrato social, segundo o sindicato, foi colocado o nome de Osvaldo Iachewski. Os funcionários da Cal Forte informaram que Osvaldo é um dos trabalhadores mais antigos da empresa, mas que não tem contato com a administração.

Filla recebeu os representantes do sindicato e do Ministério Público do Trabalho no final da tarde de ontem para uma reunião. Mesmo após o encontro, o proprietário da Cal Forte não quis receber a reportagem. No entanto, o presidente do sindicato, Manoel Vaz de Oliveira, informou que a posição da empresa é a mesma: “Ele nos passou que, apesar de querer acertar a situação de todos, não há como realizar o pagamento no momento. Ele disse que a empresa está falida”, contou. Oliveira também destacou que “não tem números concretos, mas a dívida com fornecedores, bancos e trabalhadores gira em torno de R$ 14 milhões”.

O Ministério Público do Trabalho entra hoje com uma medida cautelar na Vara Cível de Colombo, para impedir a retirada ou venda de qualquer bem da empresa, até que seja realizado um julgamento do caso pelo juiz da comarca.

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