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Coordenadoria de Patrimônio
Cultural do Estado diz que a obra
foi de reparo, não de restauro.

Em meio a uma disputa jurídica, nesta quinta-feira, primeiro de setembro, a América Latina Logística do Brasil S. A (ALL) irá apresentar formalmente às autoridades os trabalhos realizados na ponte sobre o Rio São João, na Serra do Mar, que liga Curitiba a Paranaguá. No dia 19 de julho de 2004, um acidente destruiu parcialmente a ponte.

Segundo a ALL, 200 operários de duas empresas de engenharia executaram a obra, utilizando 127 toneladas de aço e quatro mil litros de tinta especial, num investimento total de R$ 6 milhões. A empresa informa que foram convidados para irem de trem até o local os prefeitos de Curitiba, Paranaguá e Antonina, funcionários da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e representantes de órgãos como Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria de Estado da Cultura (Seec) e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Segundo o gerente de Engenharia e Projetos de Via Permanente da ALL, José Paulo Filippin, a ponte veio recebendo reforços ao longo de sua história. Ele diz que, entre as décadas de 30 e 40, por exemplo, foi construído o arco inferior, que antes não existia. ?Na década de 60, foram também feitos reforços na longarina, um componente estrutural da ponte, e na de 90 foram reestruturados os apoios da construção?, afirma. A ALL considera que a execução da obra após o acidente fez parte de mais um reforço estrutural da ponte.

A execução do trabalho foi rápida. Vinte dias após acidente, explica Filippin, trens vazios já podiam passar pela ponte. ?No dia 12 de agosto do ano passado, a ponte estava liberada para tráfego normal, faltando os acabamentos da obra, a limpeza do rio e a pintura da ponte.? Segundo ele, a pintura foi terminada no fim de julho desse ano.

Restauração ou reparação

Embora a ALL considere que as suas duas maiores preocupações – o restabelecimento do tráfego com segurança e a preservação das características originais da ponte foram respeitas – a Coordenadoria do Patrimônio Cultural (CPC) da Seec discorda. Para a coordenadora de Patrimônio Cultural, Rosina Parchen, o trabalho da ALL foi de reparo, não de restauro. ?Eles somente arrumaram para continuar trafegando. A restauração realmente não aconteceu.? Rosina afirma que, embora não tenha conhecimento do convite, a Seec não irá participar do evento.

A discussão sobre restauração ou reparação se transformou em disputa judicial. Com base num laudo técnico da CPC, no dia 7 de julho a Procuradoria Geral do Estado (PGE) ajuizou uma ação civil pública de responsabilidade por danos causados a bem de valor cultural contra a ALL, a fim de que a empresa apresente projeto de restauração da ponte sobre o Rio São João a ser aprovado e supervisionado pela Seec. Se não for possível a restauração parcial ou total da ponte, a PGE pede que a ALL seja condenada a pagar indenização por danos patrimoniais e morais, uma vez que a sociedade estará privada de parte de seus valores culturais. A ALL explica que ainda não foi informada da ação.