Neste domingo (4), os paranaenses irão às urnas para escolher seus representantes entre os 1.090 candidatos que disputam vagas nas Eleições 2026. Em comparação com as Eleições 2022, o pleito deste ano tem menos candidaturas. Para os mesmos cargos, a eleição anterior teve 1.583 candidatos no Paraná, segundo dados da Justiça Eleitoral.
A redução ocorre depois de uma sequência de crescimento no número de candidaturas. Em 2026, o total é inferior ao registrado em 2022, 2018 e 2014, mas supera o das Eleições 2010, quando o Paraná teve 1.034 candidaturas. Desde aquela eleição, o número de candidaturas vinha crescendo pleito a pleito, até chegar ao ponto máximo em 2022.
Entre 2022 e 2026, a maior redução proporcional está entre os candidatos a deputado federal. A relação passou de 21,07 candidatos por vaga, em 2022, para 14,27 neste ano. Em seguida aparece a disputa por deputado estadual, que caiu de 16,70 para 11,43 candidatos por vaga — uma redução de 5,27 concorrentes para cada cadeira.
Com menos candidaturas, a proporção de concorrentes por vaga também diminuiu em diferentes cargos. Mas o número total de nomes na urna, por si só, não indica necessariamente como será a disputa. Confira, a seguir, como está a relação entre candidaturas e vagas nestas eleições:
| Cargo | Eleição 2026 | Proporção candidatos por vaga em 2026 | Eleição 2022 | Proporção candidatos por vaga em 2022 |
| Governador | 8 candidaturas / 1 vaga | 8,00 | 9 candidaturas / 1 vaga | 9,00 |
| Vice-governador | 8 candidaturas / 1 vaga | 8,00 | 10 candidaturas / 1 vaga | 10,00 |
| Senador | 9 candidaturas / 2 vagas | 4,50 | 10 candidaturas / 1 vaga | 10,00 |
| Deputado Federal | 428 candidaturas / 30 vagas | 14,27 | 632 candidaturas / 30 vagas | 21,07 |
| Deputado Estadual | 617 candidaturas / 54 vagas | 11,43 | 902 candidaturas / 54 vagas | 16,70 |
| 1º Suplente | 10 candidaturas / 2 vagas | 5,00 | 10 candidaturas / 1 vaga | 10,00 |
| 2º Suplente | 10 candidaturas / 2 vagas | 5,00 | 10 candidaturas / 1 vaga | 10,00 |
Menos opções para o eleitorado?
Para compreender o que a redução significa e se o cenário pode ser considerado menos concorrido, Nilton Sainz, especialista em Data Science e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), aponta que os números, isoladamente, não são suficientes para diagnosticar a disputa.
“São oito nomes para o governo, por exemplo, mas é como um campeonato com oito inscritos em que só três times têm chance real de título. Os três principais reúnem entre 84% e 96% das intenções de voto nas pesquisas; os outros cinco somam entre 1% e 3%. O afunilamento está nas alianças”, aponta.
No Senado, a relação de 4,5 candidatos por vaga também precisa ser analisada em conjunto com a distribuição dos nomes na disputa. Entre os nove candidatos, estão três duplas formadas por Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD), Gleisi (PT) e Dr. Rosinha (PT), e Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).
“O eleitor vota em dois nomes e, na prática, escolhe entre três chapas, mais três candidaturas de partidos pequenos. É um padrão comum em eleições majoritárias: sobram dois ou três competidores viáveis, porque quem não tem chance tende a perder votos para o voto útil”, explica Sainz.
Já na disputa proporcional, uma das explicações para a redução, na avaliação do especialista, está no número de legendas que lançaram candidatos. “Cada partido ou federação monta uma lista, e cada lista tem um teto de nomes: o número de vagas mais um. Menos listas significam menos candidatos. As federações, que juntam partidos numa lista única, e a cláusula de desempenho, que ficou mais exigente em 2026, levam partidos pequenos a se unir ou a nem lançar nomes”, completa.
Nesta eleição, a federação com maior número de candidaturas é a PT/PCdoB/PV, com 92 nomes, seguida pela PSOL/Rede, que lançou 85 candidatos. Entre os partidos, PP aparece com 88 candidaturas, seguido por PTB, com 86; MDB, com 84; PROS, com 79; e PSD, com 78.
Mais fácil escolher?
Segundo o especialista, a redução no número de candidatos pode ter efeitos diferentes para o eleitorado. “Menos nomes facilitam a escolha. No nosso sistema, o eleitor de deputado vota em uma pessoa, não só em um partido. Com centenas de nomes para poucas vagas, ele não consegue avaliar todos e acaba usando atalhos: o candidato que já conhece, quem já tem mandato, a indicação de alguém de confiança. É como um restaurante com cardápio enorme, em que muita gente pede o prato que já conhece. Reduzir o cardápio ajuda”, explica Sainz.
Por outro lado, ele ressalta que o número de candidaturas não é o único fator a ser considerado quando se analisa a representação política. “Se o corte eliminar candidaturas que não tinham chance, o eleitor ganha clareza e perde pouco. Se eliminar candidaturas de grupos que já eram pouco representados, como lideranças comunitárias, mulheres e minorias, o cardápio fica menor justamente onde faltava variedade na representação parlamentar”, aponta.
Para conhecer os candidatos e suas propostas, os eleitores podem consultar informações disponibilizadas pela Justiça Eleitoral, como perfil, número, partido, situação do registro, declaração de bens e propostas de governo no sistema DivulgaCandContas. A Tribuna do Paraná também disponibiliza o Guia dos Candidatos, com informações sobre os concorrentes das Eleições 2026.
